Em abertura de evento do Departamento de Justiça dos EUA, Smanio fala sobre experiências do Gaeco
O Workshop para Procuradores e Investigadores Brasileiros sobre Uso de Evidências Eletrônicas e Crimes Cibernéticos, promovido pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, foi aberto na manhã desta terça-feira (24/7), em São Paulo. Durante três dias, autoridades americanas transmitirão a colegas brasileiros de 16 Estados técnicas utilizadas naquele país no combate aos crimes cibernéticos. "Esse workshop não poderia ter vindo em melhor hora", disse o procurador-geral de Justiça, Gianpaolo Smanio, na abertura do evento, destacando a importância da troca de experiências.
O PGJ relatou aos presentes uma série de iniciativas que o Ministério Público de São Paulo implementou no sentido de aumentar o grau de eficácia à repressão a esse tipo de delito. Entre as medidas, Smanio citou a criação do Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos; a parceria com a Microsoft para acesso à conhecimento neste campo; o acordo com o Consulado Americano para troca de informações; a implantação da Soli (Solução de Inteligência), ferramenta do MPSP para cruzamento de informações de bancos de dados e o investimento na capacitação de promotores e servidores. "No Ministério Público, temos tido uma preocupação bastante grande com esta área|", declarou o PGJ. A iniciativa mais recente, de acordo com ele, foi a instalação do que ele definiu como cyber Gaeco, o braço do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado voltado à investigação dos crimes cibernéticos. "A ideia é disseminar isso em todas as Promotorias".
Smanio ilustrou a importância desse novo campo de atuação com duas ações recentes do Gaeco. Na Operação Ethos, que desbaratou o núcleo de uma facção criminosa formado por advogados, houve quebra de sigilo telemático, abrindo milhões de e-mails. "Essa organização não usava telefone". Em outro caso, colegas de Santos utilizaram técnica desenvolvida pelo Serviço Secreto de Miami, abordando o investigado na rua e com o celular em uso, evitando que as mensagens fossem apagadas. O procurador da República do Departamento de Justiça dos EUA, Daniel Ackerman, agradeceu a presença de Smanio e ressaltou que o evento teria que necessariamente ocorrer em São Paulo, pela importância do Estado e do MPSP.
Além de Ackeman, vão proferir palestras no workshop as seguintes autoridades americanas: Mysti Degani (procuradora da República), Joe Varani (analista de investigações digitais do Departamento de Justiça), Aaron Francis (agente especial de supervisão do FBI), Frank Lin (procurador da República). Representantes da Microsoft e do Facebook também estão no evento, que conta com a presença de diversos promotores de Justiça do MPSP. O subprocurador-geral de Justiça de Políticas Criminais e Institucionais, Mario Sarrubbo, o membro do Conselho Superior do MPSP, Augusto Rossini, e o coordenador do Núcleo de Comabte aos Crimes Cibernéticos, Paulo Marco, participam do workshop.
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Fonte: MPSP, em 24.07.2018.