A UniAbrapp realizou webinar “Desafios e Oportunidades para a Gestão Digital” nesta sexta-feira, 8 de maio, com a participação de mais de 400 pessoas por videoconferência. O evento contou com apresentações de Carlos Marne, Diretor de Fiscalização de Monitoramento da Previc, Patrícia Linhares, Especialista da UniAbrapp e Sócia-Fundadora do Escritório Linhares Advogados, e Elayne Cachen, Secretária Executiva da Comissão Técnica de Inovação da Abrapp e Assessora Executiva de Previdência e Inovação da Fundação Ceres.
Na abertura do evento, Luiz Paulo Brasizza, Diretor Presidente da UniAbrapp, introduziu o tema do encontro em cenário de acelerada transformação. “As coisas mudaram do dia para noite. Fomos dormir em um mundo e acordamos em um admirável mundo novo, que traz inúmeros desafios, mas também muitas oportunidades”, disse. Ele explicou que acredita que o momento é de extrema reflexão para o desenvolvimento de sistemas e equipamentos para cobrir todas as necessidades.
“Temos uma oportunidade ímpar de crescermos com os meios digitais, para permitir um crescimento junto com os participantes”, comentou Brasizza. Ele também comentou que a própria UniAbrapp está preparando o lançamento no próximo dia 13 de maio de um projeto de completa reinvenção. “A UniAbrapp concluiu nesta semana um projeto de completa repaginação, com a audácia de se reinventar. Teremos o lançamento de novas parcerias de trabalho, novos cursos e novas oportunidades”, revelou.
Patrícia Linhares realizou uma apresentação com uma visão voltada para o aproveitamento do cenário atual de pandemia e crise como oportunidade para implantação de novos sistemas e processos já adaptados às exigências legais da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Apesar do adiamento do início da vigência da nova legislação para maio de 2021, a especialistas recomendou a adoção de uma gestão mais moderna e inovadora que já considere a proteção de dados e a modernização da gestão da entidade com a utilização dos meios digitais.
“Temos de aproveitar as oportunidades que surgem dos desafios atuais. Não devemos considerar apenas a disrupção tecnológica, mas também a adoção de uma gestão inovadora, com capacidade de reinvenção”, disse Patrícia. Ela recomendou a busca por novos indexadores para alcançar um novo perfil de atendimento e gestão dos planos previdenciários.
Afirmou também que o sistema está vivendo um grande ensaio de mudanças que trará muitas inovações que poderão ser utilizadas no pós-crise. As mudanças e soluções adotadas nestas últimas semanas e enquanto durar a pandemia poderão ter caráter permanente para agregar novas práticas na gestão das entidades. Citando apresentações e debates do 40º Congresso Brasileiro da Previdência Complementar Fechada, Patrícia lembrou da necessidade de implantação de um novo modelo de negócios para o sistema.
“Gostaria de resgatar as discussões em torno ao modelo de uma Previdência Privada 4.0, mais assertiva, mais simples e flexível, que aponta para o desenvolvimento de um novo modelo de trabalho”, disse a especialista. E recomendou que o novo modelo não seja direcionado apenas para os novos planos instituídos voltados aos familiares, mas também para os planos patrocinados, de forma a fidelizar o público atual das entidades.
As rotinas com arquivos e dossiês dos participantes, tendo o papel como ponto de segurança, estão se transformando. “É o momento de avançar com os novos formatos digitalizados que podem ser acessados e enviados através de plataformas e aplicativos”, indicou Patrícia. Ela apontou também os avanços e adaptações que já está ocorrendo no Judiciário para reduzir as incertezas jurídicas da adoção dos novos meios.
Lei de Proteção - Patrícia Linhares explicou ainda em sua apresentação sobre o impacto da LGPD sobre as entidades fechadas comparando com a transformação ocorrida em outros países. Citou a matriz COSO 2019 (Committee of Sponsoring Organizations) nas orientações para a proteção de dados. “A nova matriz é um gatilho para as revisões das matrizes de risco com repercussão em vários segmentos, como no Banco Central”, disse. E também deve direcionar a atuação das entidades fechadas, que trabalham com grande quantidade de dados pessoais.
A especialista recomendou também não afrouxar o processo de adaptação à LGPD por causa do adiamento da vigência da norma. E mostrou como a administração pública já está adiantada para seguir os preceitos da legislação, com a publicação por exemplo dos Decretos n. 10046 e 10222, para estabelecer o Comitê Central de Governança de Dados - CCGD. Ela mostrou também, com exemplo, como o Judiciário já tem baseado alguns julgamentos com o conteúdo da LGPD.
Aliás algumas resoluções do próprio Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC), como as Resoluções 26 e 32 já fazem referências às transações remotas e proteção de dados. A própria Susep também tem respondido a consultas com orientação de permitir a eliminação do papel após o processo de digitalização, após a observação de uma série de procedimentos.
Com todo esse cenário, as entidades podem aproveitar as oportunidades para avançar na governança de dados, implantando por exemplo, procedimentos de adesões digitais a planos instituídos e também patrocinados. Também avançar com processos de concessão de empréstimos, como muitas entidades já estão fazendo.
Foco nas pessoas - Elayne Cachen, Secretária da Comissão Técnica de Inovação da Abrapp, enfatizou a importância de manter o foco nas pessoas e na superação das crenças dos dirigentes e colaboradores para avançar nos processos de modernização tecnológica e digital. “As pessoas são o que há de mais importante, pois são os que vão trabalhar na inovação digital, são os profissionais e dirigentes. As pessoas que irão implantar as mudanças e ao mesmo tempo, são os que receberão os resultados”, disse na abertura de sua apresentação no webinar.
Ela recomendou que o primeiro passo para a inovação é “arrumar a casa para preparar a transformação em um ambiente produtivo. “O objetivo tem de ser sempre de buscar uma entrega extraordinária, acima das expectativas, do plano de previdenciário. Que o participante diga: escolhi a entidade certa”, afirmou Elayne.
Neste processo de preparação, é importante buscar uma gestão mais descentralizada em que todos possam se sentir engajado, desde a alta direção até os estagiários. É fundamental também perceber que os colaboradores têm perfis diferentes, pois alguns têm decisões e adaptação mais rápida. Outros colaboradores são mais lentos e críticos, mas apesar disso, têm a capacidade de avaliar melhor o risco.
Pesquisa Abrapp - A Secretária Executiva da CT da Abrapp lembrou de uma pesquisa realizada pela Associação no ano passado que apontou que os principais impedimentos para a inovação das EFPC, para que pudessem se tornar mais ágeis e modernas eram o papel e os processos burocráticos. E os dois pontos importantes para o avanço nesta direção foram a automação e os processos digitais.
Elayne falou ainda da revisão dos processos para mudar a atitude, para entender e olhar para fora o que pode ser feito. “Devemos juntar a tecnologia, os novos aplicativos e os meios digitais com nossa experiência. Tenho certeza de que sairão entregas extraordinárias, pois temos o poder da criatividade e o poder da experiência”, disse. Depois de focar as pessoas, incorporar a tecnologia não será o mais difícil. “Comprar a tecnologia, ver o que tem disponível no mercado, é o momento mais agradável. E podemos ir modificando as ferramentas e incorporando as mais modernas”, afirmou Elayne.
Ela ainda comentou o processo de inovação da Fundação Ceres, com a implantação de um projeto digital. “Não temos uma área específica de inovação. Todas as equipes envolvidas no projeto digital, pois todos vão se tornando capazes de propor inovações. Temos de acreditar na nossa história e acreditar em nossos planos mais ousados. O melhor está por vir”, concluiu.
Previc - Carlos Marne procurou transmitir em sua apresentação o que a autarquia espera na gestão de governança digital das entidades. Contou que desde que começou a crise, a Previc parou para rever seu planejamento e como poderia contribuir para superar essa crise decorrente da pandemia de COVID-19. “Estávamos com dificuldades de deslocamento, restrição em diferentes estados e cidades, que tem uma realidade que permite ou dificulta mais o deslocamento das pessoas. E uma decorrência natural disso foi uma dependência de plataformas digitais e a necessidade de as entidades entrarem rapidamente em um mundo novo, repleto de videoconferência”, disse.
Em um primeiro momento, houve uma forte demanda do sistema em suspender todas as operações. Mas a premissa básica que a Previc entende é que a atividade desempenhada pelas entidades fechadas é uma atividade essencial. “Os fundos têm uma responsabilidade social relevante, com milhares de famílias, direta ou indiretamente. As EFPC não podem parar, as atividades das entidades são essenciais, sem falar no impacto que tem na vida dos assistidos, que depende do pagamento de benefícios e da boa administração dos recursos garantidores”, contou Marne.
Passado o susto inicial, a Previc desencadeou um conjunto de operações juntos com a equipe de supervisão para o enfrentamento da crise da COVID-19, monitorando planos de contingência voltados para a governança e envio de informações. “A partir disso, pudemos avaliar o impacto da crise nas entidades e planejar medidas para mitigar os riscos e controles”, comentou o Diretor da Previc.
O trabalho de supervisão foi dividido em duas etapas. A primeira veio com o Ofício enviado em março para 36 entidades em supervisões permanente, sendo 17 ESI e 19 em regime de supervisão especial. “O que esperamos é transparência das informações e bom funcionamento dos órgãos estatutários. Ficamos felizes que muitas entidades estavam cristalizadas e outras se recuperaram rapidamente, com boa governança física, mas agora precisamos de uma boa governança virtual, e algumas tiveram dificuldade para essa mudança de chave”, avaliou.
A segunda etapa veio com a verificação do andamento de todas as 300 entidades do sistema através de preenchimento de formulário eletrônico que será enviado nos próximos dias. Temos uma metodologia de avaliar riscos e controles, e focamos na governança, liquidez, investimentos, solvência, e operacional e administrativo. “Já estamos começando a observar que as entidades estão superando bem as dificuldades e outras tiveram apagão e terão que voltar a funcionar e trabalhar bem. Isso independe do porte”, revelou Marne. O Diretor reforçou ainda a importância de fortalecer comunicação neste momento de crise provocada pela pandemia.
Leia mais sobre o webinar nos próximos dias.
Fonte: Abrapp em Foco, em 08.05.2020