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Antonio Penteado Mendonça |
Desde sempre o brasileiro se acostumou a ver balões cortando o céu, especialmente nesta época do ano. Há uma relação direta entre as festas juninas e a temporada dos balões, que, em 2026, pode ficar mais ativa em função da Copa do Mundo de Futebol. Realmente, a visão do balão cortando o céu com sua mecha acesa e, às vezes, estourando fogos de artifício presos no seu corpo é muito bacana, muito bonita. Nessa hora, muitas pessoas não pensam no risco que aquela visão romântica, do balão iluminando o céu, representa. Um balão é uma arma terrível. Mais cedo ou mais tarde ele cai. Invariavelmente com a mecha acesa, o que é um risco concreto para o início a um incêndio de grandes proporções. Seja uma reserva florestal pegar fogo, seja um incêndio atingir uma fábrica, a possibilidade de acabar mal é real e todos os anos cobra seu preço, em mais de uma situação, pelo país inteiro. Foi assim que há alguns anos recebi um e-mail narrando as consequências da queda de um balão em cima de uma fábrica. A empresa com mais de 50 anos de existência, já na terceira geração da família, foi completamente destruída pelo incêndio causado pela queda do balão. Em poucos minutos, o fogo se alastrou e, em menos de meia hora, consumiu as instalações, matérias primas e mercadorias, além de destruir máquinas e equipamentos. Como desgraça pouca é bobagem, por uma falha gerencial, o seguro de incêndio não havia sido renovado. Ou seja, a queda do balão destruiu meio século de trabalho árduo, e a falta do seguro condenou os proprietários a não conseguirem se reerguer. Casos como este são mais comuns do que se imagina. Mas não são apenas fábricas que são atingidas. Casas, galpões, lojas, pátios de veículos, áreas rurais, matas, reservas naturais, e o mais que se pensar são vítimas destes acidentes, que, de verdade, não são acidentes, são atos criminosos. E para quem quer mais, tem. O espaço aéreo brasileiro, por causa dos balões – que são um risco para segurança dos voos – recebe uma avaliação equivalente à de países em guerra. Ou seja, nossos céus são perigosos e isso é devidamente precificado. É por isso que nesta época do ano são realizadas campanhas de alerta sobre os riscos dos balões. Mas parece que elas não têm o dom de comover os (ir)responsáveis pelos balões que “enfeitam” as noites juninas. Mesmo sabendo dos riscos, mesmo sabendo que há um ano uma casa onde um cidadão guardava material para confeccionar balões explodiu e o matou, tem gente que segue firme e forte, fazendo balões e os soltando, com todos os riscos envolvidos, como se tudo não passasse de uma enorme brincadeira. O duro é que essa brincadeira, além de colocar a vida humana em risco, pode custar caro. Pode destruir o patrimônio amalhado por uma família ao longo de meio século, fechar postos de emprego, falir empresas, incendiar uma casa ou mesmo uma comunidade, isso para não me estender muito sobre outros danos que um balão pode causar. |
Fonte: SindSeg SP, em 19.06.2026.
