Por Katieli Kanigoski (*)
Chegamos a um tempo em que a maioria da população não esperava viver. Para estudiosos da área, esse dia chegaria, mas em nossos pensamentos parecia algo irreal e distante, levamos um tempo para assimilar que de fato estávamos iniciando esse momento. Um aperto que ecoa no coração da população mundial, seja de uma forma ou de outra é: “Não imaginei passar por isso” e, realmente, quem diria?!
As perguntas “Como vamos passar por isso?”, “Que resultados a pandemia deixará nos corações?”, “Que mudanças como seres humanos vamos gerar durante e pós pandemia?”. Como em qualquer situação, temos duas janelas para olhar, uma de destruição e derrota, que naturalmente não gera resultado positivo, porém tem outra janela, para olhar de outra perspectiva, aquela que gera mudanças, que reinventa, que ressignifica, que transforma.
O mundo parou e de fato estava bastante acelerado. Ao olhar pela janela nossos olhos contemplaram uma “multidão” de silêncio, ruas sem movimento, parques vazios, empresas fechadas, entretanto casas cheias de pessoas com muita coragem de recomeçar, de mudar a visão, de viver o que realmente vale a pena ser vivido. Casas repletas de tempo em família, de jantar na mesa, de olhar no olho, de pensamentos e pensamentos.
Se sairmos dessa pandemia e nada tiver mudado, podemos dizer que foi totalmente catastrófico. A vida ou infelizmente a morte de muitas pessoas tem que ter nos ensinado algo valioso e intenso. Tivemos a oportunidade de fazer algo por alguém, os vizinhos fizeram compras uns para os outros, até emprestaram comida nos condomínios, voltou a antiga xícara de açúcar. Para a maioria, principalmente para quem vive em grandes cidades, esse comportamento já parecia algo sem nenhum sentido, mas que voltou com algo chamado Covid-19. E isso precisa parar? Precisamos retomar tão acelerados?
Há muitas pessoas no mundo sentindo a dor do luto, a dor da falta de despedida e certamente pensam: por que não abracei, não cuidei ou simplesmente não amei mais? Enquanto muitos ainda podem amar plenamente. Aquele abraço nos pais que nunca deu com tanta intensidade… Quando acabar o isolamento social e as regras de medidas de proteção, faça o melhor que puder aos amigos que ama e que em sua vida corrida nunca conseguiu visitar. Será que não é tempo de tirar do papel aqueles sonhos que sempre teve e ficaram de lado?? Nós temos a possibilidade da incrível decisão de nos tornamos seres humanos melhores. Podemos sofrer pelo isolamento social ou podemos repensar nossas atitudes.
A crise também nos ensinou a reformular nossa vida, até a parte financeira. Não sabemos o dia de amanhã e precisamos estar preparados, com reservas de curto, médio e longo prazo. Temos que administrar os recursos financeiros que chegam com sabedoria. Planeje-se, mude o alvo dos seus gastos e invista.
É tempo de cuidar um do outro, de amar, de colocar em prática a palavra empatia. É tempo de decidir cultivar o amor, pois quando tudo isso passar é o que vai ficar, uma recordação na nossa história. Então, olhe pela janela, ouça o silêncio e ressignifique sua vida.
(*) Katieli Kanigoski é Analista de Negócios Quanta Previdência.
Fonte: Quanta Previdência, em 09.09.2020