![]() Antonio Penteado Mendonça |
Nunca o setor de seguros se viu diante de situação tão complexa como nos dias atuais. Os riscos que ameaçam a civilização já atingiram um patamar muito mais elevado do que a capacidade de indenização das seguradoras e resseguradores e o quadro deve seguir se agravando. Em outras palavras, com o desenho atual, a capacidade de retenção de riscos por parte do mercado está exaurida. Neste cenário, três grandes famílias de riscos se colocam como os desafios a serem enfrentados e superados, sob risco de atividades essenciais ficarem sem a proteção do seguro. São elas as pandemias, os eventos naturais e os riscos cibernéticos. Cada um deles, isoladamente, é capaz de gerar indenizações na casa das centenas de bilhões de dólares, sendo que os riscos cibernéticos já ultrapassaram o trilhão de dólares em prejuízos. É preciso dizer que o total segurado é bem menor do que esse total, mas a realidade serve de alerta para o que vem pela frente. Começando pelos riscos cibernéticos, ano a ano eles crescem de maneira vertiginosa e com o rápido desenvolvimento da inteligência artificial este número pode, num futuro breve, se tornar impossível de ser segurado. Se até aqui principalmente as grandes corporações é que buscavam proteção contra as ameaças cibernéticas, agora, empresas de todos os tamanhos descobriam a enorme ameaça que paira sobre elas e a demanda por seguros deve se acentuar. Como se não bastasse, a inteligência artificial já adquiriu um peso tão grande que as seguradoras e resseguradoras estão suspendendo a oferta de seguros, por falta de capacidade de retenção dos riscos. Quando se fala em centenas de bilhões de dólares em investimentos em pesquisa e desenvolvimento, se fala também em centenas de bilhões de dólares em riscos, muito deles desconhecidos, ou seja, fora da regra tradicional de aceitação de riscos pelo mercado. É um cenário desafiador e que traz desde já a certeza de que o risco é maior do que a capacidade de retenção de riscos de todo o setor. Na mesma toada, os riscos decorrentes de fenômenos naturais, especialmente os de origem climática, vão ganhando volume e atingindo patamares inéditos na história da humanidade. As últimas estatísticas falam em 300 bilhões de dólares em danos causados por eventos de origem natural, no ano de 2024, mas este número já foi com certeza, deixado para trás pelos diferentes eventos que vão se sucedendo, entre incêndios florestais, terremotos, furacões, tufões, tempestades, enchentes e outros fenômenos naturais, como as secas que castigam o planeta. Finalmente, a pandemia da COVID19 custou uma fortuna para todas as nações. Ninguém escapou de seus efeitos, na casa dos bilhões de dólares. Mas mais grave do que isso, ela escancarou a possibilidade da humanidade ser atingida por outras pandemias tão ou mais graves e mais caras. Diante destes desafios o setor de seguros está se reposicionando. No curto prazo, alguns riscos, em determinadas regiões, simplesmente não estão mais sendo aceitos. Mas só isso não será suficiente para reorganizar a proteção oferecida. Novas formas de aceitação de riscos precisam ser desenvolvidas, muitas delas em parceria com os governos dos diferentes países. Se isso não for feito, o quadro tende a se complicar e o resultado será falta de seguros para vários tipos de riscos. |
Fonte: SindSeg SP, em 14.09.2026.
