Marília foi palco de um evento histórico de Inteligência Artificial (IA) pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). Na manhã do dia 21 de março o 3º. Treinamento de Inteligência Artificial em Medicina do Cremesp, 100% presencial, foi um grande sucesso de conteúdo e público. Destinando àquela importante cidade e região, trouxe temas como as maneiras de “desvendar” a IA; seus desafios, possibilidades e soluções; e o futuro da medicina pós IA.
Angelo Vattimo, presidente do Cremesp e grande incentivador do uso ético da IA ao exercício da medicina, realizou a abertura do evento com uma mensagem sobre a relevância de não se restringirem treinamentos inovadores e cada vez mais úteis à prática médica, como a IA, à cidade de São Paulo. “Estamos contemplando várias regiões do Estado, como foi o caso de Ribeirão Preto, e agora, Marília, e em breve outras, com novidades no campo da IA ao nosso dia a dia de atendimento”, afirmou.
Na mesma ocasião, o presidente abordou a recente Resolução CFM nº 2.454/2026, que normatiza o uso da IA à medicina — uma regulação essencial “para que essa abordagem não saia do controle ético, preservando a obrigação de sigilo e uma adequada relação médico-paciente”. Para Vattimo, embora algumas diretrizes pareçam óbvias, é fundamental tê-las por escrito, garantindo o “uso fiscalizado da IA”, que reconhece seu papel relevante nas decisões clínicas, sem ignorar possíveis efeitos adversos. “Cabe ao médico adquirir conhecimento técnico na matéria, para não temer o risco de ser substituído pela ferramenta”.
Compromisso
A atual gestão dos Cremesp está empenhada na “difusão dos conhecimentos técnicos aliados à ética” e esse é um sinal de “maturidade da instituição e reconhecimento de sua relevância social”, conforme especificou o conselheiro Edson Umeda, coordenador do Centro de Bioética e da Câmara Temática Interdisciplinar de Bioética, da Casa, presente à mesa de abertura do evento. Isso, ainda mais em uma cidade “importante e estratégica”, como Marília. Ladeado a Umeda, o também conselheiro José de Freitas Guimarães Neto, responsável pela delegacia do Cremesp de Marília e região, que reconheceu: “faz algum tempo que IA deixou de ser futuro”.
Para a conselheira Christianne Cardoso Anicet Leite, coordenadora das Delegacias do Interior, treinamentos como esse reforçam a gestão política do Cremesp de se aproximar cada vez mais de colegas do interior, incentivando-os ainda a perderem o preconceito que ainda possam ter contra um recurso tão útil. “Bem usada, a IA faz com que reservemos mais tempo para dedicar aos pacientes, que, como também a acessam, já chegam com uma maneira diferente de encarar a medicina”.
O treinamento
No 1º bloco: "Medicina 4.0: Desvendando a Inteligência Artificial", ministrado por Augusto Salomon (Cirion Technologies), o palestrante questionou: “A IA corrigirá médicos com base fraca da faculdade?”. Resposta: não — ela apenas exporá mais a falta de conhecimento de quem nem sabe fazer um bom prompt para usar a ferramenta. "IA não é sobre tecnologia, é sobre transformação da sociedade; é também sobre dinheiro e eficiência", afirmou Salomon.
No 2º bloco: “IA aplicada à saúde: Desafios, Possibilidades e Soluções”, Aydamari Faria Jr, docente da Universidade Federal Fluminense (UFF) de Volta Redonda, destacou que, além da Resolução CFM nº 2.454/2026 sobre uso de IA em medicina, as novas diretrizes curriculares do Ministério da Educação (MEC) incorporaram o tema na graduação médica. "Estamos inaugurando a IA como habilidade médica mínima, exigida em todas as especialidades", afirmou.
Juliano Kimura, pioneiro em IA e transformação digital no país, abriu o Bloco 3, "Medicina pós-Inteligência Artificial: E agora, doutor?" com uma provocação: “A internet atual é medieval e cheia de informações ruins e fontes duvidosas”. Com excesso de IAs, as pessoas “travam” e “congelam”. Solução: "desprogramar e aprender a aprender", sendo pragmático nas escolhas de estudo. Sobre perda de empregos, ponderou que máquinas não substituem profissionais com pensamento crítico, analítico e criativo.
O Cremesp é o Interior!
Além dos treinamentos em IA realizados na Capital e em Ribeirão Preto — com grande participação pública — e agora em Marília, o Cremesp tem ampliado sua atenção aos médicos do interior paulista. Isso se reflete na inauguração e reinauguração de delegacias regionais para atendimento mais eficiente e confortável, como as de Marília (reinaugurada em 20 de março), ABC e, em breve, Bauru, entre outras.
Complementam esses esforços fiscalizações em unidades médicas fora da capital, reuniões do Grupo de Apoio às Comissões de Ética Médica (GACEM), encontros com estudantes de Medicina em universidades e distribuição de carteiras em outras regiões e a atuação da Comissão de Prerrogativas, que recentemente tratou de casos de coação policial contra médicos de Mirandópolis.
Fonte: Cremesp, em 23.03.2026