Conceito mais amplo que as “consultas on-line”, telemedicina cresceu de forma desigual, privilegiando serviços privados. Em trabalho feito a partir de inquérito com quase 1.200 médicos, pesquisadores também apontam potenciais riscos do uso indiscriminado da modalidade
Uma pesquisa feita com 1.183 médicos dos Estados de São Paulo e do Maranhão mostrou que os diversos usos da telemedicina – que despontaram como alternativa durante a crise sanitária causada pela covid-19 – devem permanecer no sistema de saúde brasileiro. O estudo, apoiado pela Fapesp e o Newton Fund (Reino Unido), foi conduzido por pesquisadores da USP, Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e Queen Mary University of London (Reino Unido).
“Os múltiplos usos da telemedicina vieram para ficar. A tecnologia trouxe muitas vantagens, mas não se trata de uma panaceia. É preciso regular e monitorar. Para determinados usos e especialidades pode haver perda de qualidade com o on-line. O atendimento não presencial significa muitas vezes um atendimento de baixa qualidade.”
A afirmação é de Mário César Scheffer, professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e primeiro autor do estudo.
Fonte: Jornal da USP, em 01.11.2022