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Antonio Penteado Mendonça |
O grande tema das próximas eleições será segurança pública. Todos os candidatos estão focados nele e é observar a quantidade de candidatos policiais ou do Ministério Público para se ter clara a importância do assunto na vida do brasileiro. As estatísticas da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo vêm apresentando uma queda consistente nos números gerais da criminalidade no Estado. Curiosamente, na contramão das informações, a sensação de insegurança da população tem se exacerbado. Na raiz do fenômeno estão as gangues “quebra-vidros” que atacam nas ruas da cidade quebrando os vidros dos veículos para roubar o celular. Os criminosos fantasiados de entregadores de aplicativo, que assaltam usando motocicletas para fugirem mais rápido. Os bandidos de bicicletas que pedalam pelas calçadas furtando correntinhas e celulares, e assim, sucessivamente, numa sequência que termina com os roubos de residências, praticados por quadrilhas profissionais, invariavelmente violentas. Para não falar nos crimes contra as mulheres, com ênfase no feminicídio, que tem crescido sistematicamente, mês a mês, colocando as estatísticas em patamares inéditos, desde o começo da série histórica. As razões para o quadro são as mais variadas e cada um entende que o seu viés é o mais relevante e que a sua solução a melhor para reintroduzir a paz na sociedade. O problema é que o problema vai além disso. O crime organizado se apropriou de áreas importantes do território nacional e as domina inconteste porque o Estado brasileiro simplesmente as abandonou no passado e agora não consegue se impor a realidade das facções, que mandam e desmandam nelas. O quadro pode ser visto nos telejornais que mostram diariamente tiroteios entre os criminosos e a polícia, sendo que nem sempre os bandidos levam a pior e invariavelmente quem paga o preço é a população, presa no meio das balas. Além disso, o poder corruptor das facções atinge os níveis mais altos da administração pública, o que dificulta ainda mais o combate eficiente contra elas. Tudo bem, o tema segurança pública vai ser preponderante na campanha política que se aproxima, visando as próximas eleições. É bom que seja assim. Afinal, não tem sentido o Brasil estar na situação que está, com a criminalidade indo muito além das ruas e comunidades. Ela se espalha pelos escritórios de luxo nas áreas mais caras das cidades. Mas entre campanhas políticas e a realidade há um espaço imenso. Mesmo que as medidas mais indicadas sejam adotadas rapidamente, elas só surtirão efeito a médio e longo prazo. Não há como suprir rapidamente a ausência do Estado e substituir as políticas equivocadas, adotadas ao longo dos últimos anos. Nesse cenário, a única solução, não para reverter o quadro, mas para minimizar prejuízos e diminuir o risco de ser morto é a contratação de seguros. O seguro não impede o crime, mas minimiza os prejuízos e é uma solução para não colocar a vida em risco. Com seguro, pelo menos o prejuízo financeiro estará equacionado. É mais fácil deixar o ladrão levar a bicicleta sem reagir. Afinal, se não há como minimizar a violência, o seguro minimiza o prejuízo, a perda do bem. |
Fonte: SindSeg SP, em 08.05.2026.
