A economista Solange Paiva Vieira, superintendente da Susep e mais que provável titular da superagência que deverá surgir da fusão da autarquia com a Previc, reconheceu em nosso sistema de previdência complementar fechada uma qualidade que parece desejar estender às abertas, a de investir com foco no longo prazo. Ela deu inclusive a entender a disposição de fazer os VGBLs e PGBLs trabalharem com uma duration maior. Esse reconhecimento aconteceu na entrevista que concedeu ontem à noite ao programa da jornalista Miriam Leitão na Globo News.
Disse entender a fusão das duas superintendências como uma oportunidade de se "trabalhar em conjunto em dois segmentos que têm muito em comum, particularmente no que diz respeito à previdência privada",
E pareceu emitir sinais de alguma empatia ao reconhecer implicitamente a necessidade de políticas públicas que favoreçam o fomento, ao lembrar que fazem 10 anos que foi aberto o último fundo de pensão patrocinado no País. E colocou a culpa nas normas e na grande responsabilidade colocada sobre os ombros das patrocinadoras.
E negou que se possa atribuir algum privilégio aos participantes de fundos de pensão, uma vez que as contribuições se tornaram paritárias e os benefícios são proporcionais ao montante que os trabalhadores verteram para o plano.
E ainda antecipou o desejo de ir o mais longe possível em matéria de flexibilidade, fazendo com que "o participante ´possa migrar para onde quiser".
No que se refere à capitalização, observou que ela não deve ser objeto de grandes atenções nessa fase. Discuti-la agora seria até mesmo um pouco prematuro, considerando ser esse um tema sobre o qual só se poderá trabalhar mais profundamente a partir do momento em que se tiver uma melhor ideia da proporção da reforma que se irá aprovar. Mas ela está otimista, achando que a PEC passará mais ou menos inteira pelo Congresso, por "ser uma demanda da sociedade".
Quanto ao setor segurador, observou ser muito pequeno no Brasil. No Mundo representa em média 3% do PIB, mas no caso brasileiro não chega a 1%. "Em proporção dos prêmios pagos estamos atrás da África do Sul e do Chile", resumiu Solange, que destacou o seu propósito "de investir muito em tecnologia para trazer crescimento". Previu que no futuro as seguradoras fortemente digitais vão ocupar grandes espaços.
Fonte: ANCEP Notícias, em 10.05.2019.