Por Jorge Wahl
“Com a queda dos juros vamos ter de correr riscos e isso não é algo a que estivemos enquanto sistema acostumados”, disse Jorge Simino, Diretor de Investimentos e Patrimônio da Funcef logo ao iniciar a sua exposição na plenária 5, a primeira da manhã dessa sexta-feira (6), voltada para o tema “Estabilidade Econômica e Entrega de Benefícios”. Para passar uma ideia do tamanho do desafio, Simino lembrou que no final do ano passado o percentual da carteira investido em renda variável era de apenas 34%. Mas, se excluídas as maiores entidades patrocinadas por estatais, esse número cai ainda mais, ficando não longe dos 10%.
Continuando, ele notou que, como apesar da recuperação em curso não dá para ter absoluta certeza de que a economia brasileira conseguirá vencer os muitos desafios que têm pela frente, a começar do fiscal, a verdade é que as entidades terão que caminhar gradualmente nesse processo de assumir riscos. “A tomada de riscos terá que ser paulatina”, disse.
E não é só a seu ver a falta de uma certeza absoluta de que a economia irá entrar em ciclo de crescimento mais estável. Há no seu entendimento outros fatores que dificultam esse assumir riscos. Para começar faltam produtos. “Os 5 maiores fundos imobiliários do País giram em torno de apenas R$ 5 milhões a cada dia e isso é muito pouco. Como é reduzido também o número de títulos de dívida disponíveis para o investidor, sem esquecer da falta de um mercado secundário para negociá-los.
Mesmo na Bolsa o panorama não é de fartura de opções. Há quase 400 companhias abertas, mas os negócios que significam liquidez se concentram enormemente nas ações das empresas que compõem o Ibovespa e estas são em torno de 60. Nesse quadro, os investimentos no exterior representam uma opção, no sentido que no Mundo há muitas escolhas disponíveis e acesso a segmentos inexistentes no Brasil como tecnologia e biogenética, mas para operar lá fora é preciso contar com profissionais altamente capacitados e treiná-los traz despesas.
Simino também chamou a atenção para o fato de que assumir maiores riscos nos investimentos é algo que vai requerer maiores investimentos na comunicação com o participante, para que este entenda a volatilidade que acompanha inevitavelmente a renda variável. “Os nossos participantes quase sempre estão hoje acostumados não apenas a alocação em renda fixa, mas ainda por cima marcada na curva”, concluiu.
Fonte: Acontece, em 06.10.2017.