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Antonio Penteado Mendonça |
No fim da semana que vem é carnaval, mas, extraoficialmente, amanhã a festa começa em São Paulo e em outras cidades o bumbo ressoa desde outubro do ano passado, com final previsto para algum dia em março. Durante este período é quase impossível se falar em trabalho sério, tanto que é comum se ouvir que no Brasil o ano começa depois do carnaval. Quarenta dias depois do carnaval, chega a Páscoa, mais um feriado prolongado, que ainda pode ser aumentado em mais um ou dois dias, dependendo do que estiver acontecendo no país. A morte e a ressurreição do Cristo têm lugar especial na vida dos brasileiros, que, quando eu era criança, respeitavam os ritos da quaresma e não comiam carne vermelha nas sextas-feiras e guardavam silêncio até o Sábado de Aleluia, quando a folia recuperava a alegria do carnaval, comemorando a ressurreição do Filho de Deus. Na sequência vem a Copa do Mundo de Futebol e aí não tem jeito, o país vai torcer, sofrer, gritar, xingar, comemorar, brigar e o mais que uma explosão coletiva de sentimentos contraditórios pode gerar numa sociedade estressada, como está a brasileira. E esta Copa traz uma novidade: será mais longa porque terá mais jogos, em virtude de terem mais seleções participando. E chegam as férias de julho, com os recessos políticos, este ano esquentando as turbinas para a eleição no segundo semestre. É bom lembrar que entre os fatos acima temos mais alguns feriados pontuais, nos quais, evidentemente, o país para, para gozar o merecido descanso. Com agosto, começa a corrida para as eleições gerais que tomarão o segundo semestre e que prometem serem no mínimo muito quentes, puxadas pelo acirramento dos ânimos e a polarização que divide o Brasil em três grandes grupos de eleitores, os a direita, os a esquerda e os que querem de volta um país civilizado, respeitador das regas democráticas previstas na Constituição. Primeiro turno em outubro, segundo turno na sequência, lá vamos nós ladeira abaixo, com o país mais ou menos parado, dependendo da região e do momento eleitoral. Mas o ritmo do ano não mudará com a eleição do presidente da república. Um mês e meio depois é Natal e a vida vai seguir na toada do que aconteceu antes, parada ou quase parando. É um retrato realista da perspectiva nacional. O problema é que apesar de todos estes eventos, o ano segue tendo 365 dias, ao longo dos quais é necessário trabalhar para ganhar o pão nosso de cada dia e manter a nação minimamente nos eixos. Não tem como, por mais feriados que tenha, não tem como parar, a vida seguirá em frente e para o setor de seguros de forma muito especial: 2026 será o ano do aprendizado e aprimoramento do funcionamento da nova lei que regula os contratos de seguros. Seguros seguirão sendo contratados, sinistros continuarão ocorrendo, indenizações serão pagas, apólices serão renovadas, novos riscos precisarão de proteção e isso será feito com o trabalho e a participação de segurados, corretores de seguros e seguradoras. Ou seja, pessoas terão que carregar o andor e tocar o barco em frente. Pode ser que não seja o ano mais quente da história, mas com certeza para centenas de milhares de pessoas que atuam no mercado segurador será um ano de trabalho árduo, entrega e muito aprendizado. |
Fonte: SindSeg SP, em 06.02.2026.
