Por Jorge Wahl

“Começou nos EUA nos anos 90 e no Brasil demorou, mas nos últimos dois anos os ETFs estão tendo por aqui um crescimento extraordinário, o que vai gerar um estoque capaz de ajudar os fundos de pensão a entrar nesse mercado”, resumiu Bruno Stein, Sócio a frente dos ETFs da Galapagos Capital, um dos palestrantes do primeiro bloco do painel “O Futuro da Alocação Institucional: Oportunidades e Alternativos nas EFPC”, apresentado durante o 15º Seminário de Investimentos nas EFPC, em São Paulo.
Já Marcelo Fiorellini, Sócio Sênior do BTG Pactual, o outro expositor e fazendo uma apresentação centrada nos FIDCs, também usou o que se passou nos EUA para apostar que “o crédito vai se transferir dos bancos para o mercado de capitais”. Admitiu, no entanto, que no caso brasileiro isso ainda está distante da realidade já observada no mercado norte-americano.
Moderador no painel, Fernando Antônio Gontijo, Membro da Comissão Técnica Sudoeste de Investimentos da Abrapp, notou que em ambos os casos os processos em andamento precisam considerar que para os fundos de pensão são importantes diversificação, gestão de risco e liquidez.
ETFs – Falando dos ETFs, Stein atribuiu o forte crescimento da ferramenta a uma de suas maiores qualidades, a de poder ser usada nos mais variados mercados, ou seja, o de servir como instrumento a serviço de praticamente qualquer ativo ou atividade, seja renda fixa ou variável ou investimento no exterior. “Vale para qualquer coisa que for líquido”, resumiu Stein.
Ajuda sobremaneira nesse crescimento dos ETFs o fato de a ferramenta, movida a grandes escalas, oferecer um custo reconhecidamente baixo, algo que se reflete na taxa de administração cobrada do investidor. Stein adicionou outras virtudes à descrição do instrumento: eficiência operacional, transparência e praticidade. Embora seja preciso reconhecer que a liquidez ainda pode ser, em alguns momentos, limitada.
O mercado brasileiro de ETFs gira atualmente em torno de R$ 111 bilhões, contra R$ 15 bilhões há 3 anos. Pelas projeções de Stein, deve-se chegar a uma cifra em torno de R$ 1 trilhão em 2030, sendo que para que a previsão se confirme será preciso que o mercado dobre de tamanho a cada ano até o final desta década.
E isso parece cada vez menos impossível. Stein chama a atenção para o fato de que “nos EUA, os ETFS passaram até agora por quatro ciclos de crescimento e os dois primeiros já estão claramente acontecendo no Brasil”. Isso, claro, sinaliza que a ferramenta já vai repetindo aqui o mesmo caminho exitoso festejado no mercado norte-americano, ainda que a terceira fase de crescimento dependa de uma regulamentação mais amigável no caso brasileiro.
FIDCs – No Brasil já são em torno de 2 mil FIDCs, somando R$ 780 bilhões, explicou Fiorellini, neste valor incluindo o crédito privado. Segundo ele, a tendência é repetir no Brasil a trajetória observada nos EUA, onde o crédito migrou dos bancos para o mercado de capitais, ou seja, corretoras e assets. E isso, a seu ver, tende a acontecer no caso brasileiro em um futuro nem tão distante assim.
Basta ver, disse ele, que no Brasil já temos cada vez menos bancos médios, substituídos em sua função de crédito – capitalizar as empresas – por fundos e assets. E nesse seu papel os fundos são, pode-se dizer, bastante eficientes, considerando que nos últimos 15 anos as perdas por inadimplência dos tomadores de crédito foram mínimas.
No entender de Fiorellini, a prevalência dos títulos públicos ainda afasta de certo modo os fundos de pensão dos FIDCs, mas ele acredita que esse afastamento irá ceder à medida em que os juros caiam e a diversificação das carteiras cresça. Ele admite, no entanto, que também trabalha contra uma maior aproximação, algo que pode ser visto como maior complexidade para entender a estrutura de um fundo.
O 15º Seminário de Investimentos nas EFPC é uma realização da Abrapp com o apoio institucional da UniAbrapp, Sindapp, ICSS e Conecta. Patrocínio Black: Alaska Asset Management, XP Investimentos. Patrocínio Ouro: ASA, BNP Paribas Asset Management, Bradesco Asset Management, BTG Pactual Asset Management, Fram Capital, Galapagos Capital, Investira, Itajubá Investimentos, Itaú Asset, JGP, Santander Asset Management, Sparta, Spectra Investments, SulAmérica Investimentos, Tarpon, Vinci Compass. Patrocínio Prata: 4UM Investimentos, BB Asset Management, Porto Asset, Teva Índices. Patrocínio Bronze: Aditus, ARX Investimentos, AZ Quest, Consepro, Constância Investimentos, Banco Daycoval, Xtrackers by DWS, Franklin Templeton, Icatu Vanguarda, Investo, MarketAxess, Multifonds, Opportunity, Polo Capital, Principal Asset Management, Quantum Finance, Safra, Tivio Capital, V8 Capital. Apoio: IAP, MAG Investimentos, Navi, Pátria, RJI Investimentos, Turim.
Fonte: Abrapp em Foco, em 08.05.2026.