Por Jorge Wahl

O pensamento do gestor e a estratégia que ele traça precisam estar alicerçadas com base nos compromissos futuros e não nos resultados imediatos ou de médio prazo. Por isso, deve-se pensar sempre no filme da vida inteira e não simplesmente de forma imediatista na foto que mostra apenas um momento que não dura. Foi o que defendeu Rodrigo Pereira de Almeida, Gerente de Investimentos da Funpresp-Jud, ao ser um dos palestrantes do painel voltado para o tema “Gestão Integrada de Ativos e Passivos: Como Conectar Investimentos, Obrigações e Perfis de Risco nas EFPC”, realizado nesta quarta-feira (06/05) durante o 15º Seminário de Investimentos nas EFPC.
O Gerente da Funpresp-Jud falou pela ótica do que tem feito em sua entidade, num plano de previdência que é absolutamente novo, um CD puro com uma massa de participantes muito jovem, estruturando seu raciocínio e estratégia de investidor a partir dessas suas condições.
Para partir dessa realidade, prosseguiu ele, o primeiro ponto a entender foi que “a gente existe primeiramente para pagar benefícios, embora muita gente ache que a área de investimentos de um fundo de pensão tem como propósito ganhar dinheiro”. Enfim, o pensamento do gestor e a estratégia que ele traça precisa estar alicerçada com base nos compromissos futuros e não nos resultados imediatos ou de médio prazo.
Partindo daí, Rodrigo Almeida explicou que partindo dessa linha de raciocínio a gente consegue adequar os ativos às necessidades expressas no passivo. “Mudando esse eixo a forma de pensar os investimentos se altera completamente, porque aí passa a prevalecer a ideia do que tenho que fazer para garantir minimamente aquelas obrigações que terei que cumprir futuramente”.
Compreendido isso, se consegue otimizar a forma como se pensa e faz os investimentos, sempre em busca da melhor rentabilidade possível respeitados os níveis prudenciais de risco . Nessa linha de raciocínio eu coloco os passivos como prioridade e dele passo a cuidar dos ativos.
“Fazendo dessa forma, aí sim eu consigo segregar os riscos de investimentos ou, por exemplo, perfis de riscos de investimento ou perfis de investimento no meu caso na Funpresp-Jud, em massas podendo comparar os objetivos, utilizando o modelo ciclo de vida. Com isso consigo segregar as massas de participantes em quantas forem necessárias”, esclareceu. Para na sequência completar: “e cada massa vai levar em conta o seu perfil de passivo, o seu perfil de obrigação”.
Quando se fecha esse ciclo, continuou, se tem os passivos sendo o fiel da balança, direcionando o que se faz com os ativos e estes últimos segregados em quantas massas forem necessárias conforme os perfis de investimento, para se fazer a melhor alocação, de acordo com aquela massa.
Daí se foge dos perfis tradicionais oferecidos por corretoras, bancos e instituições financeiras em geral, cenário tipo moderado, conservador e agressivo, onde as pessoas ficam mudando em momentos de alta volatilidade como no atual, e no lugar disso se passa a oferecer flexibilidade ao participante, trazendo mais estabilidade.
Notou ainda que mudanças frequentes entre perfis conservador, moderado e agressivo podem trazer confusão à gestão dos recursos. “E uma gestão atrapalhada carrega a possibilidade de afetar os compromissos futuros”, adiciona.
No mesmo painel, outro expositor, Carlos Renato Salami, Diretor Financeiro do Isbre e Secretário Executivo do Colégio de Coordenadores de Investimentos da Abrapp, reforçou o raciocínio de que a gestão dos ativos depende antes de mais nada do conhecimento do exigível expresso no passivo.
Salami começou dizendo que gerir a formação de poupança previdenciária destinada a atender às expectativas de renda dos aposentados requer, em primeiro lugar, conhecer as exigências contidas no passivo. E que tais exigências sejam integradas de forma ativa à gestão dos investimentos.
“Para isso se precisa gerenciar a exposição a dois riscos importantes assim no processo. De um lado a questão da oscilação patrimonial, que tem a ver com a questão da regra de solvência do segmento e também com a aversão a risco dos participantes e a governança; mas por outro lado se tem também a necessidade de capitalizar recursos a um determinado nível de retorno real mais inflação, para não ficarmos expostos a não conseguir isso e por conta disso gerar uma frustração de renda para os participantes, quando lá na frente se tornarem assistidos”, destacou .
O dirigente do Isbre ainda detalhou na apresentação como se aborda tudo isso de forma estruturada, seguindo metodologia que procura tomar decisões no nível da macro alocação de ativos levando em conta o nível de proteção que se quer ter no passivo, além dos parâmetros de diversificação do portfólio e o nível de crescimento patrimonial que se pretende ao longo do tempo. “Na entidade produzimos então simulações para os vários planos”, completou Salami.
Luciana Bassan, Coordenadora Suplente da Comissão Técnica Sudoeste de Investimentos da Abrapp, atuou como moderadora no painel, realçou a importância de se cuidar de fazer simulações suficientes, envolvendo o maior número possível de planos. Sublinhou também o cuidado em se fazer tudo integradamente. E nisso as entidades levam vantagem, pela facilidade com que nas nossas entidades fechadas é possível cruzar de uma área para outra.
O 15º Seminário de Investimentos nas EFPC é uma realização da Abrapp com o apoio institucional da UniAbrapp, Sindapp, ICSS e Conecta. Patrocínio Black: Alaska Asset Management, XP Investimentos. Patrocínio Ouro: ASA, BNP Paribas Asset Management, Bradesco Asset Management, BTG Pactual Asset Management, Fram Capital, Galapagos Capital, Investira, Itajubá Investimentos, Itaú Asset, JGP, Santander Asset Management, Sparta, Spectra Investments, SulAmérica Investimentos, Tarpon, Vinci Compass. Patrocínio Prata: 4UM Investimentos, BB Asset Management, Porto Asset, Teva Índices. Patrocínio Bronze: Aditus, ARX Investimentos, AZ Quest, Consepro, Constância Investimentos, Banco Daycoval, Xtrackers by DWS, Franklin Templeton, Icatu Vanguarda, Investo, MarketAxess, Multifonds, Opportunity, Polo Capital, Principal Asset Management, Quantum Finance, Safra, Tivio Capital, V8 Capital. Apoio: IAP, MAG Investimentos, Navi, Pátria, RJI Investimentos, Turim.
Fonte: Abrapp em Foco, em 07.05.2026.