Por Alexandre Sammogini

A inteligência artificial e a automação foram temas abordados no 15º Seminário de Investimentos nas EFPC, com foco no uso de ferramentas para monitoramento de riscos e aderência às políticas de investimentos. Ricardo Villar, CEO da Investira, apresentou uma análise voltada à desmistificação da IA, explicando seu funcionamento e destacando as principais preocupações relacionadas à segurança e à confidencialidade no uso dessas ferramentas.
Durante a apresentação, Villar explicou como os sistemas de inteligência artificial operam, ressaltando que não se trata de um processo criativo, mas sim de análises estatísticas baseadas em dados previamente coletados, que são posteriormente quantificados. O objetivo foi ampliar a compreensão do público sobre o funcionamento da tecnologia e seus limites.
Outro ponto central foi a forma de utilização da IA e os cuidados necessários nesse processo. O especialista alertou para os riscos de exposição de informações sensíveis das entidades, destacando a importância de avaliar até que ponto o uso dessas ferramentas pode comprometer dados relevantes. Nesse sentido, a palestra apresentou orientações práticas, indicando pontos de atenção e estratégias para mitigar riscos no ambiente institucional.
Segundo Villar, é fundamental utilizar a inteligência artificial de forma crítica e consciente. “É preciso saber como utilizá-la, sendo crítico em relação às respostas geradas e avaliando se devem ou não ser utilizadas. Além disso, é importante entender o que precisa ser ajustado para que a informação seja útil e responsável na tomada de decisão. A IA já faz parte do cotidiano, e o desafio é garantir seu uso de maneira madura e consciente”, afirmou.
O especialista também ressaltou que confiar exclusivamente nas respostas geradas pela IA pode não resultar na melhor solução. De acordo com ele, a qualidade das respostas está diretamente relacionada à capacidade do usuário de fornecer contexto e informações relevantes, tornando a interação mais precisa e alinhada aos objetivos desejados.
Valor operacional – Marcelo Gomes, Consultor de Tecnologia e Inovação da Abrapp, destacou que a inteligência artificial não deve ser tratada apenas como uma pauta tecnológica. Segundo ele, o principal desafio é compreender como essa ferramenta vem transformando a capacidade das EFPC de monitorar, controlar e sustentar decisões em um ambiente de investimentos cada vez mais complexo.
De acordo com Marcelo, muitas entidades ainda operam com processos predominantemente manuais, o que gera um descompasso entre a crescente complexidade das carteiras de investimento e a capacidade das EFPC de acompanhar todos os controles necessários, ampliando continuamente os riscos operacionais.
Nesse contexto, a IA passa a agregar valor especialmente na dimensão operacional. “A inteligência artificial já apoia diversas atividades, como monitoramento de enquadramento, conciliação de dados, validação de carteiras, detecção de anomalias e identificação de padrões atípicos. Hoje, ela amplia a capacidade de identificar riscos e inconsistências em uma escala muito superior à dos processos puramente manuais”, afirmou.
O consultor também alertou para os novos riscos organizacionais trazidos pelo avanço da IA. Entre eles, destacou o crescimento do chamado Shadow AI, situação em que ferramentas passam a ser utilizadas sem validação institucional adequada. Por isso, segundo ele, a governança se torna tão importante quanto a própria tecnologia, já que a responsabilidade fiduciária continua sendo integralmente dos gestores, dirigentes e conselheiros.
“Nesse cenário, as EFPC precisam começar a discutir políticas formais para o uso da inteligência artificial, estabelecendo critérios mínimos sobre onde a IA pode ser aplicada, como validar os resultados, quem responde pelo uso e como garantir a rastreabilidade e a auditabilidade”.
A moderação do painel foi conduzida por Victor Roberto Hohl, Coordenador Titular da Comissão Técnica Centro-Norte de Investimentos da Abrapp. Segundo ele, a inteligência artificial nas EFPC deve ser tratada como uma ferramenta concreta para ampliar o controle, o monitoramento e a governança na gestão de investimentos, sem substituir o julgamento técnico.
“A inteligência artificial tende a se tornar cada vez mais necessária nas organizações e precisa ser tratado de forma estratégica, com políticas adequadas de gestão, regras claras de utilização, definição de responsabilidades, segurança da informação, supervisão humana e trilhas de auditoria”, ressaltou.
O 15º Seminário de Investimentos nas EFPC é uma realização da Abrapp com o apoio institucional da UniAbrapp, Sindapp, ICSS e Conecta. Patrocínio Black: Alaska Asset Management, XP Investimentos. Patrocínio Ouro: ASA, BNP Paribas Asset Management, Bradesco Asset Management, BTG Pactual Asset Management, Fram Capital, Galapagos Capital, Investira, Itajubá Investimentos, Itaú Asset, JGP, Santander Asset Management, Sparta, Spectra Investments, SulAmérica Investimentos, Tarpon, Vinci Compass. Patrocínio Prata: 4UM Investimentos, BB Asset Management, Porto Asset, Teva Índices. Patrocínio Bronze: Aditus, ARX Investimentos, AZ Quest, Consepro, Constância Investimentos, Banco Daycoval, Xtrackers by DWS, Franklin Templeton, Icatu Vanguarda, Investo, MarketAxess, Multifonds, Opportunity, Polo Capital, Principal Asset Management, Quantum Finance, Safra, Tivio Capital, V8 Capital. Apoio: IAP, MAG Investimentos, Navi, Pátria, RJI Investimentos, Turim.
Fonte: Abrapp em Foco, em 07.05.2026.