Por Bruna Chieco

Casamento entre ativo e passivo, governança, longevidade e comunicação são os temas centrais de debate dentro das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) conforme foi pontuado por dirigentes durante o painel “Desafios Estratégicos das EFPC em 2026: Visão dos Dirigentes” realizado no 15º Seminário de Investimento nas EFPC, em São Paulo.
Além de apenas investir, os gestores das fundações devem entender a escolha dos ativos de acordo com seu passivo, observado a especificidade de cada plano. Ou seja, não há uma regra geral para todos. “Cada fundação tem seu desafio”, destacou o moderador Fernando de Souza Caldas, Membro da Comissão Técnica Sul de Investimentos da Abrapp.
Paulo Cesar Candido Werneck, Diretor de Investimentos da Vivest, corrobora: “o conhecimento do passivo é muito importante para que se tenha uma gestão adequada na posição com o risco”. Somente assim, disse, é possível fazer alocações simétricas de risco.
O estudo de ALM dentro das entidades ajuda, justamente, a reduzir esse risco, seguindo premissas estratégicas para equilibrar ativos e obrigações, conforme explicou Luciana Rodrigues da Cunha Gomes, Diretora de Investimentos da Sistel. “Anualmente fazemos o estudo do nosso passivo, revisamos premissas e tábuas atuariais, fazemos ratificação do ALM e nos certificamos se a carteira de ativos é suficiente para pagar a carteira de benefícios”.
A governança é o ponto mais nevrálgico neste processo, segundo Werneck, pois remete à necessidade de ter profissionais capacitados para ter o entendimento de todo o processo. “Para se ter um risco adequado, pertinente e de acordo, mostrando a fidúcia, é preciso ter um sistema de governança bem estabelecido e forte”. Segundo o dirigente, melhor do que atingir o resultado é a forma de atingi-lo. “A explicação de como tomei a decisão me dá direito de continuar tocando o negócio”, reiterou.
Luciana acrescentou: “temos políticas, normativos, limites de alçada, isso não trava transparência e agilidade. O processo é todo cumprido e registrado, que é o mais importante”. Ambos os dirigentes afirmam que a gestão previdenciária é, por natureza, uma atividade de risco e quanto mais preparado for esse grupo que atua na governança, mais esses ritos e regras serão percorridos com facilidade. “É muito importante ter pessoas muito bem preparadas”, pontuou Werneck.
Longevidade e comunicação – Transmitir aos participantes as decisões que estão sendo tomadas talvez seja a parte mais desafiadora deste processo. “A longevidade causa uma necessidade de ajuste no passivo para contrabalancear com a alocação de risco pertinente”, destacou Werneck, que afirmou ser papel da entidade informar corretamente aos participantes o porquê dessas decisões serem tomadas.
“Estamos falando de pessoas e do tratamento que temos que ter com o participante, principalmente na questão do entendimento e da educação financeira. Temos que fazer a tradução sobre os riscos envolvidos e evitar comparações distorcidas”, afirmou.
Luciana reforçou que essa comunicação se torna ainda mais essencial quando há diferenças na modalidade de planos. “Para planos CD é preciso uma gestão diferenciada, buscando risco, dentro dos seus limites”, disse. “Temos um público com idade avançada, na média com 75 anos, e nosso desafio é a comunicação com esse público”. Para endereçar esse desafio, a Sistel criou o programa Comunicador, no qual o próprio assistido indica uma pessoa de sua rede de confiança para ser acionada pela entidade quando necessário. De um universo de 23 mil pessoas, 9,5 mil já têm um comunicador cadastrado.
Para Werneck, os desafios das EFPC transcendem a gestão dos próprios portfólios. Ele defende a criação de incentivos para que novas entidades sejam constituídas, ampliando o papel do setor no financiamento de ativos mais adequados e estruturados. “É preciso capacitação técnica e aperfeiçoamento constante de todos os envolvidos no sistema. Precisamos tornar esse sistema em uma poupança estável e constante para o nosso desenvolvimento”, concluiu.
“Esse dinheiro é sagrado, pois é parte da contribuição do trabalhador para garantir seu futuro”, disse Werneck. A frase sintetiza o que permeou todo o debate: por trás das decisões de alocação, dos ritos de governança e dos ajustes atuariais, há participantes cujo futuro depende da qualidade das escolhas feitas hoje.
O 15º Seminário de Investimentos nas EFPC é uma realização da Abrapp com o apoio institucional da UniAbrapp, Sindapp, ICSS e Conecta. Patrocínio Black: Alaska Asset Management, XP Investimentos. Patrocínio Ouro: ASA, BNP Paribas Asset Management, Bradesco Asset Management, BTG Pactual Asset Management, Fram Capital, Galapagos Capital, Investira, Itajubá Investimentos, Itaú Asset, JGP, Santander Asset Management, Sparta, Spectra Investments, SulAmérica Investimentos, Tarpon, Vinci Compass. Patrocínio Prata: 4UM Investimentos, BB Asset Management, Porto Asset, Teva Índices. Patrocínio Bronze: Aditus, ARX Investimentos, AZ Quest, Consepro, Constância Investimentos, Banco Daycoval, Xtrackers by DWS, Franklin Templeton, Icatu Vanguarda, Investo, MarketAxess, Multifonds, Opportunity, Polo Capital, Principal Asset Management, Quantum Finance, Safra, Tivio Capital, V8 Capital. Apoio: IAP, MAG Investimentos, Navi, Pátria, RJI Investimentos, Turim.
Fonte: Abrapp em Foco, em 07.05.2026.