Por Alexandre Sammogini

Com cerca de 700 participantes, o 15º Seminário de Investimentos nas EFPC teve início nesta quarta-feira (6/05) em São Paulo, reunindo especialistas para discutir os principais temas que impactam a gestão de investimentos do setor. A abertura foi conduzida por Devanir Silva, Diretor-Presidente da Abrapp, que analisou o momento atual de taxas de juros elevadas, cenário que tem levado a uma maior concentração dos investimentos em títulos públicos.
Devanir destacou que a Abrapp tem recebido questionamentos sobre esse tipo de concentração, mas que não há motivos para preocupação, sendo apenas uma característica do cenário econômico atual. Segundo ele, esse perfil de alocação oferece atualmente retornos atrativos com baixo risco. “Trata-se de uma alocação coerente com o momento, sobretudo quando consideramos o compromisso primordial com a solvência e a liquidez dos nossos planos.”
No entanto, isso não significa uma postura passiva por parte dos gestores. O dirigente destaca que há acompanhamento constante das oportunidades e uma preparação cuidadosa para um novo ciclo esperado. A expectativa de redução das taxas de juros abre espaço para diversificação e para a ampliação de investimentos em ativos que contribuam não apenas para a rentabilidade, mas também para o desenvolvimento econômico do país.
“Somos investidores institucionais de longo prazo. Estamos orientados pela construção consistente de resultados que garantam segurança aos nossos participantes, patrocinadores e instituidores por décadas. Nosso compromisso é o pagamento de benefícios. Hoje, estamos falando de um volume de pagamento de benefícios que atinge cerca de R$ 10 bilhões mensais. Por trás desse número existem pessoas, famílias e histórias de vida que dependem da solidez do nosso trabalho.”
Regulação, supervisão e ampliação – Ele também ressaltou a necessidade de atenção ao ambiente regulatório, que precisa evoluir. Como exemplo, citou o Decreto nº 4.942/2003, um normativo que já se mostra defasado diante das transformações ocorridas ao longo das últimas décadas. “Esse regime sancionador está desatualizado. Hoje lidamos com um nível muito maior de complexidade, e o gestor de investimentos precisa de segurança jurídica para exercer, com responsabilidade, o ato regular de gestão.”
Outro ponto abordado foi a necessidade de evitar a sobreposição de instâncias de fiscalização, como ocorre atualmente entre o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Previc. Segundo ele, a Previc possui a competência técnica e a qualificação necessárias para exercer a supervisão do sistema. “A Abrapp tem trabalhado nessa pauta, estando presente na AGU [Advocacia-Geral da União] e no Congresso Nacional, mostrando que é preciso uma ação coordenada. Estamos confiantes de que um acordo de cooperação técnica pode trazer mais clareza, eficiência e segurança para todos os envolvidos.”
Outro destaque foi o objetivo de ampliar o alcance da Previdência Complementar Fechada e transformá-la, cada vez mais, em um instrumento de inclusão social. “Hoje temos um contingente de pessoas que podem ser chamadas de invisíveis do ponto de vista previdenciário: trabalhadores informais, motoristas de aplicativos e entregadores de plataformas. Não podemos permitir que essa parcela significativa da população, que soma mais de 50% da força de trabalho do Brasil, permaneça à margem do sistema.”
Recursos garantidores – João Carlos Ferreira, Diretor Vice-Presidente da Abrapp, também participou da abertura do evento, abordando a aplicação dos recursos garantidores. Segundo ele, não se trata de investir no sentido comum da palavra, mas de cumprir o dever fiduciário, administrando um patrimônio previdenciário vinculado a compromissos de longo prazo e assegurando o pagamento de benefícios com segurança ao longo de décadas.
O processo decisório de investimentos evoluiu e se aperfeiçoou ao longo do tempo. Além disso, cresce a expectativa de que a gestão seja capaz de explicar com clareza não apenas o que foi decidido, mas também por que foi decidido, como foi conduzido e quais riscos foram assumidos e controlados. O dirigente acrescentou que a agenda de 2026 é exigente, trazendo desafios relacionados a crédito, liquidez, diversificação, avaliação de gestores e integração do passivo às estratégias.
“Por isso, a programação destes dois dias do seminário foi estruturada para oferecer um percurso coerente sobre o cenário atual, abordando decisões, riscos e inovação”, finalizou.
O 15º Seminário de Investimentos nas EFPC é uma realização da Abrapp com o apoio institucional da UniAbrapp, Sindapp, ICSS e Conecta. Patrocínio Black: Alaska Asset Management, XP Investimentos. Patrocínio Ouro: ASA, BNP Paribas Asset Management, Bradesco Asset Management, BTG Pactual Asset Management, Fram Capital, Galapagos Capital, Investira, Itajubá Investimentos, Itaú Asset, JGP, Santander Asset Management, Sparta, Spectra Investments, SulAmérica Investimentos, Tarpon, Vinci Compass. Patrocínio Prata: 4UM Investimentos, BB Asset Management, Porto Asset, Teva Índices. Patrocínio Bronze: Aditus, ARX Investimentos, AZ Quest, Consepro, Constância Investimentos, Banco Daycoval, Xtrackers by DWS, Franklin Templeton, Icatu Vanguarda, Investo, MarketAxess, Multifonds, Opportunity, Polo Capital, Principal Asset Management, Quantum Finance, Safra, Tivio Capital, V8 Capital. Apoio: IAP, MAG Investimentos, Navi, Pátria, RJI Investimentos, Turim.
Fonte: Abrapp em Foco, em 06.05.2026.