Por Bruna Chieco

“Estratégias sem execução não entregam resultado”, disse João Carlos Ferreira (foto abaixo), Diretor Vice-Presidente da Abrapp da Regional Sudoeste e Diretor responsável pelo Colégio de Coordenadores de Investimentos da Abrapp no 15º Seminário de Investimentos nas EFPC, que ocorreu nos dias 6 e 7 de maio, em São Paulo. Segundo ele, essa execução exige governança, critérios claros e consistência.

Sua fala vai ao encontro da discussão sobre a necessidade de diversificação dos investimentos que ocorreu na segunda parte do painel “O Futuro da Alocação Institucional: Oportunidades e Alternativos nas EFPC”. Gestores apontam que investir em ativos alternativos não é opcional para as EFPC, mas sim uma necessidade estrutural para proteger o poder aquisitivo dos participantes no longo prazo.
Oportunidades não faltam. O número de gestoras de ativos privados saltou de 61 em 2010 para 232 em 2025, segundo dados da Spectra Investments. Nesse período, as assets especializadas passaram de 8 para 76 e as de venture capital de 12 para 71, enquanto as generalistas recuaram de 32 para 18, refletindo uma tendência de especialização do mercado.
“Apesar da rentabilidade dos alternativos ser favorável no longo prazo, a alocação ainda acontece de forma gradual”, disse o moderador do painel Fernando Antônio Gontijo, Membro da Comissão Técnica Sudoeste de Investimentos da Abrapp.
Renato Abissamra, Sócio da Spectra Investimentos, destacou que essa alocação depende de um programa de investimento, sem esquecer que ativos e gestores podem ir muito bem ou muito mal. “Existe um componente de risco nesses investimentos que se pronuncia de tempos em tempos”. O gestor apresentou a diversidade de teses alternativas, como infraestrutura, venture capital, ativos reais, estressados e private equity, e afirmou: “diversificar reduz drasticamente o risco de perda de capital”.
Além da rentabilidade, as EFPC possuem recursos que podem alavancar a economia dos países. “Investir na economia real é uma necessidade”, destacou Fabio Mazzeo, Associado Relações com Institucionais da Fram Capital. Segundo ele, ativos de infraestrutura e energia possuem, de modo geral, hedge para inflação.
“O passivo das entidades é de longo prazo e os retornos estão baseados nas taxas de juros”, afirmou Mazzeo e destacou que diversificar também é proteger o capital contra a corrosão inflacionária em horizontes de 20 a 30 anos. O gestor reforçou que houve amadurecimento regulatório para investir em FIPs e debêntures incentivadas, entre elas a exigência de comitês independentes e diligências rigorosas.
Para os gestores presentes no painel, proteger o poder aquisitivo no longo prazo exige ir além, com critério, processo e disposição para executar. Como resumiu João Carlos Ferreira no encerramento do seminário: “Retorno e prudência não são opostos. Eles caminham juntos quando há decisão técnica”.
O 15º Seminário de Investimentos nas EFPC é uma realização da Abrapp com o apoio institucional da UniAbrapp, Sindapp, ICSS e Conecta. Patrocínio Black: Alaska Asset Management, XP Investimentos. Patrocínio Ouro: ASA, BNP Paribas Asset Management, Bradesco Asset Management, BTG Pactual Asset Management, Fram Capital, Galapagos Capital, Investira, Itajubá Investimentos, Itaú Asset, JGP, Santander Asset Management, Sparta, Spectra Investments, SulAmérica Investimentos, Tarpon, Vinci Compass. Patrocínio Prata: 4UM Investimentos, BB Asset Management, Porto Asset, Teva Índices. Patrocínio Bronze: Aditus, ARX Investimentos, AZ Quest, Consepro, Constância Investimentos, Banco Daycoval, Xtrackers by DWS, Franklin Templeton, Icatu Vanguarda, Investo, MarketAxess, Multifonds, Opportunity, Polo Capital, Principal Asset Management, Quantum Finance, Safra, Tivio Capital, V8 Capital. Apoio: IAP, MAG Investimentos, Navi, Pátria, RJI Investimentos, Turim.
Fonte: Abrapp em Foco, em 08.05.2026.