Por Jorge Wahl

A economia brasileira vive em 2026 um cenário basicamente favorável, mas que precisará ser seguido no ano seguinte por uma indispensável redução nas despesas públicas. No campo político, de tão polarizado está o país e que provavelmente permanecerá até as eleições, em outubro próximo, o Brasil ainda não saberá com maior clareza quem será seu próximo Presidente da República.
Esse foi o diagnóstico desenhado na primeira palestra do 15º Seminário de Investimentos nas EFPC, que abordou o tema “Cenário Macroeconômico, Eleições e Geopolítica: Como as EFPC devem navegar em 2026”, por dois especialistas da XP Investimentos: o Economista-Chefe Caio Megale e o Analista Político Paulo Gama.
Megale começou notando que 2026 é um ano “peculiar” desde o seu início, tantas são as variáveis e a incerteza, a ponto de tornar difícil a recomendação de investimentos no relatório de janeiro. O Brasil vinha de um 2025 altamente favorável em matéria de atração de investimentos externos, algo que, de certa forma, ainda se mantém atualmente, somada à expectativa de queda dos juros e inflação levemente declinante, com preços em baixa nos alimentos. Tudo isso combinado fazia esperar por um ano positivo. Mas veio a guerra, o petróleo subiu e não deve cair tão logo, os índices inflacionários deixaram de ceder e de algum modo a atividade econômica se ressente.
Em seu retrato atual, comprado especialmente pelos investidores externos, o Brasil tem sido visto até certo ponto comparativamente como ganhador, imagem reforçada por um pré-sal que turbina a arrecadação e a balança comercial. “Os mercados brasileiros estão andando bem, por exemplo Bolsa e Câmbio”, apontou Megale. Ele completou: “Se me perguntarem se o dólar está com cara mais de R$ 4,50 ou R$ 5,50, eu ficaria com a primeira opção”. E arriscou uma possível explicação: “Lula e Flávio são conhecidos do mercado”.
Para melhorar, falta a Selic cair, especialmente o juro real, mas hoje existe uma pressão inflacionária, continuou Megale. Nesse sentido, a seu ver pressionam a inflação tanto o petróleo, os alimentos (promessa de El Ninho no segundo semestre podendo cortar a oferta) e choque de demanda reforçado pelas iniciativas do governo para colocar dinheiro na mão do consumidor e assim manter a atividade aquecida. E isso, claro, atrapalha a autoridade monetária em seus esforços contracionistas. “Ainda faz sentido cortar a Selic porque os juros estão muito altos, mas diante do conjunto o BC terá que fazer isso mais gradualmente”, resumiu Megale.
Em sua visão prever 2027 está ficando mais fácil. “No ano que vem a economia deve esfriar em razão de um ajuste fiscal que precisará ser feito”.
A incerteza não é menor na esfera política, talvez até pelo contrário, mostrou Gama. Segundo ele, os indicadores utilizados pelos cientistas políticos revelam uma sociedade dividida como nunca foi antes e o resultado disso é que muito provavelmente o Brasil chegará às vésperas das eleições sem saber quem será eleito Presidente.
Notou que Flávio Bolsonaro, de certa forma contrariando as expectativas iniciais, ganhou tração com sua estratégia de afastar-se da imagem do pai dizendo-se moderado, por exemplo ao não se aproximar dos militares e usar camiseta com os dizeres “sou pai de menina”. O futuro do candidato, entretanto, vai depender se conseguirá ou não sustentar esse novo posicionamento. Por sinal, o maior ou menor grau de sucesso da chamada terceira via estará na dependência também disso.
Outro ponto é como a avaliação positiva do Presidente Lula irá se comportar. Nesse momento Gama citou várias notícias e políticas públicas que afetam numa ou noutra direção a aceitação do Governo pelo eleitor. Ele colocou nesse caldeirão quente ainda a percepção pelo eleitor de outros temas, como corrupção e segurança pública.
O 15º Seminário de Investimentos nas EFPC é uma realização da Abrapp com o apoio institucional da UniAbrapp, Sindapp, ICSS e Conecta. Patrocínio Black: Alaska Asset Management, XP Investimentos. Patrocínio Ouro: ASA, BNP Paribas Asset Management, Bradesco Asset Management, BTG Pactual Asset Management, Fram Capital, Galapagos Capital, Investira, Itajubá Investimentos, Itaú Asset, JGP, Santander Asset Management, Sparta, Spectra Investments, SulAmérica Investimentos, Tarpon, Vinci Compass. Patrocínio Prata: 4UM Investimentos, BB Asset Management, Porto Asset, Teva Índices. Patrocínio Bronze: Aditus, ARX Investimentos, AZ Quest, Consepro, Constância Investimentos, Banco Daycoval, Xtrackers by DWS, Franklin Templeton, Icatu Vanguarda, Investo, MarketAxess, Multifonds, Opportunity, Polo Capital, Principal Asset Management, Quantum Finance, Safra, Tivio Capital, V8 Capital. Apoio: IAP, MAG Investimentos, Navi, Pátria, RJI Investimentos, Turim.
Fonte: Abrapp em Foco, em 06.05.2026.