![]() Antonio Penteado Mendonça |
Os seguros de veículos estão passando por uma mudança importante. Os veículos não são mais apenas a combustão, os elétricos estão chegando e os híbridos já estão aí, rodando pelas ruas do Brasil. Já se fala em 25% dos emplacamentos e a tendência é subir mais, até porque as agressivas políticas de vendas, especialmente das montadoras chinesas, tendem a dar vantagem de preço para estes modelos. A discussão se é correto ou não, não cabe aqui. O artigo é sobre os seguros de veículos e as adaptações que as seguradoras precisam fazer em suas apólices para não enfrentarem as consequências dos preços defasados mais para frente. Seguro é cálculo, conta feita sobre realidades que devem ser protegidas pelas seguradoras. Se roubam um número X de veículos e os acidentes representam mais Y na conta final, é preciso que o preço dos seguros esteja adequado para fazer frente a esta sinistralidade. Se o preço cobrir apenas X menos 5 e Y menos 10 a seguradora no final do exercício terá perdido dinheiro. Para manter o equilíbrio da carteira é indispensável que os cálculos sejam feitos de forma acurada, levando em conta o que efetivamente acontece nas ruas. Aí surge um problema. A falta de informações da sinistralidade real que afeta os veículos elétricos e híbridos. Evidentemente, em função das diferenças entre eles e os veículos a combustão o preço do seguro tem que ser diferente. Para isso é necessário saber onde a diferença está. O preço dos veículos híbridos e elétricos é diferente do preço de um veículo convencional. A diferença pode ser para mais ou para menos, mas terá impacto no preço do seguro. Além disso, as diferenças técnicas também têm impacto e ele pode ser grande, na medida que uma bateria de veículo elétrico pode custar metade do valor do carro, o que não acontece com os veículos a combustão, nos quais a bateria tem um valor mínimo, comparado ao valor do carro. Para o segurado, em bom português, tanto faz. Ele quer é ter seu carro segurado e pronto, o resto não é com ele. As seguradoras que se virem para precificar e apresentar a conta do seguro. O segurado paga, está coberto e vai para casa sossegado, com a certeza de que em caso de sinistro será indenizado. Como as variações de modelo para modelo são expressivas e com certeza a mecânica de um carro convencional não é mesma de um veículo elétrico, as seguradoras podem ter surpresas desagradáveis se não ficarem atentas as tipicidades e sutilezas que aparecerão no mercado, interferindo nos diversos sinistros cobertos pelas apólices. Uma coisa é uma perda total, outra completamente diferente é uma perda parcial. Da mesma forma que os prejuízos decorrentes de roubo não se confundem com os causados pelas colisões, as diferenças entre os vários veículos circulando pelas nossas ruas também não se confundem uma com as outras. Veículos importados estão sujeitos a falta de peças, marcas que estão aqui, agora, podem sair do mercado amanhã. Modelos com pouca aceitação podem ser retirados de linha e por aí a fora. Todas essas variáveis, mais o colocado acima, fazem parte das análises das seguradoras para precificar suas apólices. Quanto mais informações elas tiverem, mais exato o preço de seus seguros. Melhor para elas e para os segurados, mesmo o seguro eventualmente custando mais caro. |
Fonte: SindSeg SP, em 14.08.2026.
