Por Victor Hohl - Diretor de Administração e Investimentos
Chegamos ao fim do mês de fevereiro com as atenções do mercado dominadas pela operação militar de invasão da Rússia na Ucrânia. Com isso, aconteceu uma elevação generalizada de percepção de risco global. Consequentemente, diversos movimentos acontecem ao mesmo tempo, elevação nas taxas de títulos soberanos globais, desvalorização de ativos de risco. Apesar desse movimento, o Sebrae Previdência encerrou o mês com resultados acima do CDI, e no acumulado do ano todos seus perfis de investimentos superam a grande maioria dos benchmarks de mercado (CDI, IFIX, IMAB, IRFM, Dólar, Bolsa Americana, Ouro).
A invasão russa ao território ucraniano foi oficializada no dia 24/02, gerando reação imediata na comunidade internacional. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou que o país e aliados responderão de forma “unida e decisiva”, aumentando as tensões nos mercados financeiros globais logo pela manhã, que permaneceram ao longo do dia ao tempo que medidas de sanções à Rússia eram anunciadas.
O efeito mais imediato dessa tensão toda foi a alta de preços em importantes commodities energéticas (petróleo e gás), agrícolas (milho e trigo), em função dos países envolvidos - Rússia e Ucrânia são grandes produtores desses produtos.
A partir daí diversos movimentos se desencadearam ao mesmo tempo, como a elevação nas taxas de títulos soberanos globais, depreciação de moedas emergentes a partir da fuga de capital para moedas mais fortes e, como reflexo, desvalorização de ativos de risco e aumento das especulações sobre as próximas ações dos bancos centrais do mundo inteiro.
As principais bolsas globais fecharam fevereiro em baixa, com o S&P500, Nasdaq e MSCI World All Country recuando 3,1%, 3,4% e 3,06%, respectivamente. Em contrapartida, o ouro, considerado ativo seguro em momentos de forte instabilidade, subiu 6,20%, o contrato em dólar americano. Como o confronto entre Rússia e Ucrânia fizeram o preço das commodities voltarem a subir, beneficiando países exportadores desses itens, o Ibovespa (bolsa brasileira) encerrou o mês com leve alta.
O prolongamento do confronto ainda segue indefinido e as negociações de cessar fogo estão em estágios iniciais. As sanções econômicas implementadas contra Rússia, como a exclusão do país do SWIFT (sistema de transações interbancárias internacionais) e congelamento da utilização das reservas internacionais por parte do Banco Central, tentam isolar e sufocar a economia russa, como forma de pressão a um recuo militar na região e por isso os impactos para economia global ainda são incertos.
No cenário atual de elevação da aversão a risco, os títulos de renda fixa podem sofrer novas desvalorizações e a bolsa continuar a apresentar alta volatilidade. É muito importante que os participantes entendam os motivos para eventuais oscilações nos valores das cotas, contudo, já tomamos várias medidas para mitigar os efeitos de eventuais oscilações.
Abaixo, destaco algumas medidas que foram tomadas:
A) para os perfis de maior risco, reduzimos as posições em bolsas (renda variável) além de termos montado uma proteção com derivativos para a parcela em bolsa que ainda nos parecem atrativas. Nas exposições no exterior foram reduzidas as estratégias indexadas ao câmbio, dado o fluxo de capital que o Brasil anda atraindo em função de juros mais altos e preços de commodities atrativos, as alocações em fundos estruturados possuem posições que se beneficiam da subida de preços de commodities, e ainda mantemos boa parcela da carteira alocada em títulos de crédito privado pós-fixados.
B) para todos os perfis de investimentos seguimos com cautela na alocação de títulos de renda fixa, com redução do prazo médio da carteira e algumas posições que se beneficiam com a inclinação da curva de juros.
Abaixo segue o resumo de desempenho dos perfis (bruto), sem considerar o desempenho da carteira empréstimo, até o final do mês de fevereiro:
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Fonte: Sebrae Previdência, em 11.03.2022.