Em análise mais recente, Victor Hohl, diretor de Administração e Investimento, reflete sobre o encerramento do segundo trimestre de 2023 e aponta os excelentes resultados dos investimentos
O final do semestre foi marcado por excelentes resultados no Sebrae Previdência: todos os perfis apresentaram performance bastante positiva. Destaque para o perfil Arrojado, com retorno de 2,13% no mês — um resultado equivalente a 198% do CDI, marcando o terceiro mês consecutivo como o melhor resultado entre os perfis. No segundo trimestre, o resultado desse perfil foi de 4,70%, equivalente a 150% do CDI. Nesse mesmo período, a inflação medida pelo IPCA está estimada em 0,90%.
Numa avaliação com o horizonte de tempo de 48 meses, mostramos abaixo que a performance de todos os perfis do Instituto é superior ao CDI (Rendimento Títulos Pós-Fixados), IFIX (Indice de Fundo Imobiliários), ao Ibovespa (bolsa brasileira) e ao IRFM (Indice de Renda Fixa pré-fixados).

Já a tabela abaixo mostra o rendimento dos perfis de investimentos nos últimos 48 meses, e no mês, comparado com o retorno do CDI, do Ibovespa (Bolsa), do IFIX (Fundos Imobiliários) e do IRFM (Renda Fixa pré-fixados).

Panorama de junho - internacional
Em junho foi observada a continuidade da melhora iniciada no mês de maio.
Dados da atividade econômica global mostraram desaceleração mais acentuada, com destaque para a Alemanha. A deterioração da demanda por bens, após os excessos do período pós-pandemia, em conjunto com o aperto das condições de crédito, está exercendo impacto negativo, sobretudo na indústria.
Na China, o crescimento também tem sido abaixo do esperado, apesar dos recentes estímulos anunciados pelo governo chinês.
Com relação aos EUA, a economia continua a mostrar maior resiliência que as demais, com destaque para o melhor desempenho do setor imobiliário nos últimos meses, apesar do aperto monetário.
Esse cenário tem contribuído para uma desaceleração do ritmo inflacionário, que ainda incomoda grandes economias, como a do Reino Unido, por exemplo.
O contexto começa a indicar para o mercado o fim do ciclo do aperto monetário promovido pelos bancos centrais pelo mundo. Isso fez com que o mercado de renda fixa (juros) tivesse um comportamento mais benigno em todo o planeta.
Panorama de junho - Brasil
Internamente, observamos uma melhora do cenário doméstico, que permitirá que o Banco Central inicie o ciclo de corte de juros em breve. Contribui para isso seguintes fatores:
- Melhora das perspectivas econômicas: no início de 2023, o consenso esperava um crescimento do PIB de 0,8% para o ano. Mas uma economia muito mais resiliente do que o esperado, especialmente no setor agrícola, elevou as projeções para um crescimento de 2,2%;
- Redução dos riscos fiscais e políticos: as preocupações com as políticas econômicas do novo governo estiveram nos holofotes dos investidores no início de 2023. Mas o que observamos até agora foi melhor do que o esperado, com pouco espaço na pauta para avanço da temática da independência do Banco Central e dos riscos de intervenção em estatais e até do controle dos gastos do governo com a aprovação do novo arcabouço fiscal; e
- Inflação: as leituras de inflação melhoraram indicando que um processo de desinflação finalmente está em andamento, com o IPCA surpreendendo positivamente nas últimas leituras.
Assim, enxergamos um forte movimento nos mercados financeiros sobre a possibilidade de redução dos juros. As curvas de juros mostram isso claramente:

O ambiente de expectativa de queda da taxa de juros fez com que os investidores começassem a olhar com outros olhos os ativos de risco (bolsa), que apresentaram uma excelente performance nas últimas semanas: esta foi a 9ª semana seguida de valorização do Ibovespa. No período, o principal indicador do mercado brasileiro soma valorização de quase 14%.
Lembramos que, a partir do início de maio, iniciamos um processo de aumento de nossas posições aplicadas em juros e compradas em bolsa, que se beneficiaram desse movimento. Os perfis que permitem maior alocação nos ativos também se beneficiaram mais dessas alocações.
Fonte: Sebrae Previdência, em 10.07.2023.