A carteira de investimentos do Sebrae previdência driblou os efeitos mais negativos do mercado global no mês de fevereiro. A performance da carteira de investimento foi novamente positiva, com destaque para o perfil Conservador — que rendeu 0,62% no mês em que o Ibovespa apresentou queda de 7,49%, o real se desvalorizou em cerca de 3% e a bolsa americana (S&P500) caiu 2,61%. No desempenho relativo com relação aos fundos de previdência, também fomos novamente destaque. Dessa forma, no acumulado de 2023 até o mês de fevereiro, o retorno médio dos fundos abertos de previdência foi de 0,48%, enquanto o do Sebrae previdência foi de 1,47%. Confira mais detalhes na análise a seguir.
ANÁLISE
Depois de um janeiro animador, os principais ativos risco apresentaram performance bastante negativa em fevereiro. As divulgações de dados de emprego nos EUA e de inflação mostram que o mercado de trabalho continua resiliente e que, com isso, a desinflação esperada na parte de serviços ainda não se materializou e reaqueceu as preocupações decorrentes da inflação nos EUA. As surpresas altistas nos dados divulgados causaram uma forte reprecificação na parte curta das curvas de juros globais. Essa novidade atingiu o mercado em um momento no qual o consenso convergia para a aproximação do fim dos ciclos de aperto monetário no mundo e, por isso, observamos fortes quedas nos títulos de renda fixa global.
No Brasil o movimento foi similar. As expectativas para a inflação reportadas no relatório Focus pioraram, somando às críticas do executivo ao Banco Central independente e à diretriz mais expansionista do novo governo, fizeram com a curva de juros local também apresentasse forte movimento de inclinação, fazendo com que o principal índice de ações brasileiro recuasse 7,5% em fevereiro, devolvendo o ganho obtido em janeiro e com isso todo o otimismo da virada de ano. Esse cenário desapontou a principal apostas dos maiores de gestores que mercado, que acreditavam que o recente movimento de aperto monetário já implementado pelo Banco Central começasse a indicar uma desaceleração econômica mais acentuada daqui em diante, o que permitiria ao Copom iniciar um ciclo de corte de juros.
Contudo, o evento que acabou gerando maior impacto negativo em nossa carteira foi o cenário bastante desafiador vivenciado pelo mercado de crédito privado. Em geral, os fundos de renda fixa perfomaram abaixo do CDI mesmo sem sofrer impacto direto dos eventos Americanas e Light. O aumento da aversão a risco e o fluxo de notícias negativas em outras empresas se somaram ao momento turbulento, fazendo com que os resgates e a necessidade de mais liquidez dos fundos gerassem venda de papéis no mercado secundário — contribuindo, portanto, para a ampliação dos prêmios de risco dos ativos de crédito. Com isso, o spread médio das debêntures que compõe o IDA-DI atingiu o nível de 216 bps, contra 172 bps no início do ano, quando excluímos os ativos da Americanas e da Light.
Quando o mercado já se recuperava do impacto negativo decorrente do caso Americanas, tivemos um segundo evento que foi determinante no comportamento de preços ao longo de fevereiro. Após a notícia que a Light havia contratado um consultor para auxiliá-la na adequação de sua estrutura de capital, as debêntures da companhia tiveram forte queda no mercado secundário. Assim, no mês de fevereiro, o índice que reflete uma cesta de debêntures da Anbima teve retorno de -32,6% do DI, mostrando uma piora em relação a janeiro. O movimento dos spreads continuou negativo: os de AAA abriram 31bps, os de AA, 8bps, e os A, 295bps.
Diante dessas incertezas, continuamos nosso processo de redução de risco da carteira, que foi iniciado no segundo semestre de 2021 — mas, dessa vez, acentuamos a redução da exposição no mercado de crédito privado. Apesar de acreditarmos que o rendimento dos títulos já demonstra boa atratividade, preferimos reduzir a exposição para mitigar eventos novos que possam gerar mais incertezas. A novidade para o mês foi o incremento de nossas posições aplicadas nos títulos de renda fixa pré-fixados e indexados à inflação de vencimento mais curtos, uma vez que no ano passado nossas principais apostas estavam concentradas nos títulos pós-fixados.
Com essa postura conseguimos mitigar os efeitos mais negativos do mercado de capitais no curto prazo e apresentamos retorno positivo em todos os perfis de investimentos. Abaixo, segue uma tabela comparativa que mostra a performance positiva do Sebrae Previdência frente a média dos fundos abertos de previdência e principais indicadores de mercado.
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Fonte: Sebrae Previdência, em 27.03.2023.