Grande desafio para a saúde em nosso país é garantir que todas as pessoas tenham acesso e condições de serem tratadas com equidade
A resposta para essa questão é simples, embora a superação seja bem mais complexa. Acredito que ninguém discorde de que o grande desafio para a saúde em nosso país é garantir que todas as pessoas tenham acesso e condições de serem tratadas de forma que não existam diferenças entre sistema público e privado. Pode parecer utópico desejar que um paciente do SUS tenha acesso a tratamentos que hoje estão disponíveis apenas para quem tem um plano de saúde ou que um cidadão dos rincões da Amazônia não precise esperar meses e viajar horas de barco para conseguir consulta com um especialista inexistente no local onde mora. Mas Ano Novo é tempo de renovar esperanças e, no campo da saúde, o que esperamos é ter novas lideranças capazes de planejar caminhos inclusivos e sustentáveis, inspirados até mesmo em iniciativas já existentes e que podem ser multiplicadas, pois mostram que equidade em saúde não é utopia.
Trata-se, sim, de algo que pode ser construído com boa gestão dos recursos, cultura de qualidade e segurança que busque sempre o melhor desfecho e evite desperdícios. Além disso, que busque coordenação adequada do cuidado nas várias instâncias de atendimento, o que inclui uma atuação mais robusta e eficaz da atenção primária — que auxilia ter o paciente correto na porta correta e referencia os casos de alta complexidade de forma precoce para tratamento especializado, com melhores desfechos e economia de recursos.
Chamam a atenção os resultados da pesquisa conduzida pelo PoderData a pedido da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) para avaliar a percepção da população em relação aos serviços de saúde oferecidos no Brasil. Quatro em cada 10 respondentes consideram a saúde no país ruim ou péssima e, entre os usuários do SUS especificamente, a grande insatisfação é com a dificuldade de acesso àquilo que é básico: fazer exames e marcar consultas. Em que porta vai bater o paciente que não conseguiu esse básico? Nos hospitais, estruturas que deveriam ser reservadas para casos que realmente demandem cuidados hospitalares.
Fonte: Futuro da Saúde, em 21.12.2022