Por Luis Vitiritti (*)
Sempre que penso em controle de perdas automaticamente vem na minha cabeça um sábio ditado: prevenir é melhor que remediar. Mas o que significa isso na prática levando em consideração toda a cadeia que envolve o controle de sinistros (transporte, logística, infraestrutura, segurança pública, seguradoras, e etc), análise de eventualidades, contingenciamento e entrega final assertiva? Na prática posso garantir que uma análise de risco adequada diminui sinistralidade e aumenta a qualidade do trabalho. Quer saber como?
Uma linha de produção que passa por uma análise de funcionamento registra em média a rejeição de um produto a cada 100 mil. Porém, quando o assunto é transporte a sinistralidade média é de 60% do mercado de seguros. Uma diferença muito grande e que está ligada diretamente ao aumento de custo, pois a nível médio da qualidade das transportadoras e serviços logísticos é muito baixo, claro que vias ruins e roubo colaboram agravando este índice.
Uma pequena amostra disso está no aumento de roubos de carga no Grande ABC em São Paulo que registrou crescimento de 83,3% em janeiro deste ano em comparação ao mesmo período de 2016, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. As ocorrências subiram de 18 para 33 nas sete cidades no período; enquanto, em 2016 foram 346 roubos no total. Os números acompanham tendência de alta do Estado (crescimento de 698 casos para 844 no período). Os dados infelizmente traduzem uma situação recorrente nas principais cidades do país e suas rotas de conexão, seja via terrestre, marítimo ou aéreo. Ou seja, o roubo de carga aumenta a sinistralidade dos seguros e consequentemente os transportadores reclamam que as fábricas pagam pouco frete. Como consequência, empresas de rastreamento fazem pouco, pois não recebem o que gostariam ao oferecer um serviço de qualidade. O resultado de tudo isso é que muitos clientes sofrem com sinistros não cobertos, pois o processo logístico apresentou alguma falha na ferramenta que estava no contrato.
Neste momento, o ciclo do sucateamento daquela cadeia está completo. Ou seja, existem muitas gestoras de riscos acompanhando os transportes; porém embarcadores e transportadores compram por preço, não por qualidade. Sabe aquele sapato barato que dói o pé? Pois é. É chegada a hora de trocar custo baixo por qualidade, sempre pensando em um bom planejamento de médio e longo prazo. A melhor saída neste caso é buscar uma consultoria que realiza treinamentos, assessoria e vistoria técnica com o objetivo de fazer um completo mapeamento dos riscos e cenário de cada prestador de serviços, orientando seus clientes sobre as melhores práticas de logística. E chega de sapato barato!
(*) Luis Vitiritti é CEO da Risklog e Consultor de riscos. Gerencia os principais projetos com auxílio de pesquisadores e parceiros especializados. A Risklog atua diretamente com seguradoras, corretores e clientes de vários segmentos como medicamentos, carga projeto, portos, cosméticos, entre outros.
(30.05.2017)