O aumento da longevidade não apenas parece ser algo inexorável, como suscita ao menos dois tipos de preocupação, uma de ordem financeira, na medida em que requer alguma preparação para assegurar a renda na aposentadoria - razão de ser dos fundos de pensão - e a outra de maneira a atenuar um dos efeitos a serem minimizados no envelhecimento, a solidão.
Pois, da Rússia vem uma interessante experiência a esse respeito, relatada pelo jornal Gazeta Russa. No país, o número de idosos solitários é grande, mas até recentemente pouco ali se fazia além das tradicionais casas de repouso. Há uma década apareceu uma organização chamada “Terceira Idade Feliz”, que faz a diferença e já atua em mais de 1.500 lares em 25 das regiões da Rússia.
Idosos de todo o país recebem cartas dos chamados “netos” e “netas”. Inicialmente os voluntários tentaram combater a falta de conexão humana dos idosos levando shows às casas de repouso, além de organizar excursões e tardes de chá. Mas como nem sempre era possível visitar os idosos, os voluntários lançaram um novo projeto: “Netos por correspondência”.
Para 2017 uma das prioridades será envolver os familiares dos idosos na produção da correspondência que segue para os internados nos asilos, dando ainda mais efetividade emocional ao envio das cartas. E, por falar na questão emotiva, a organização pretende atrair cada vez mais psicólogos além daqueles com os quais trabalha.
Para angariar fundos e fazer crescer a rede solidária, a organização trabalha na preparação de uma maratona, como forma de mobilizar um número crescente de pessoas. A ideia é atrair pelo menos 100 mil doadores para uma contribuição mensal regular.
Fonte: Diário dos Fundos de Pensão, em 20.12.2016.