Curitiba recebeu, nos dias 24 e 25 de agosto, o VII Encontro Nacional dos Contabilistas das EFPCs, tradicional evento de debates técnicos do setor, realizado bianualmente, e que tem organização da ANCEP e da ABRAPP. Nesta edição, em torno de 250 especialistas no segmento se reuniram para discutir previdência complementar fechada, gestão de processos e de riscos, submassas, governança, investimentos, custeio administrativo e vários temas importantes para o segmento.
O encontro busca promover a troca de experiência de profissionais atuantes nas áreas contábil, de governança, de gestão de riscos, atuarial, jurídica, de investimentos, entre outras do segmento de previdência complementar e apresentar discussões relevantes em pauta na agenda das EFPCs.
Giancarlo Germany, atuário e diretor técnico da Mirador Atuarial, foi um dos palestrantes no primeiro dia do evento. Falando sobre Riscos em Planos de Previdência, sua apresentação discutiu os diversos tipos de risco que podem afetar, direta ou indiretamente, o segmento.
Risco estratégico, atuarial, operacional, financeiro, de crédito, de mercado, de imagem, de liquidez, entre outros: quais tipos de riscos afetam as entidades de previdência complementar? Quais afetam especificamente os planos de benefícios administrados por sua entidade? Quais são relevantes? Como fazer a gestão de todos esses riscos? Estas foram algumas das questões levantadas pelo atuário em sua fala.
O evento foi sucesso de público, com inscrições encerradas antecipadamente por falta de espaço físico. Foram dois dias de muita informação, alinhamento com diversos representantes da PREVIC, SRPC e SRF e apresentação de pontos normativos a serem apresentados ao CNPC para deliberação e norteamento legislativo.
Processo proativo: mapear, analisar e controlar riscos
O mapeamento de riscos, salientou Giancarlo, é essencial para conhecermos quais tipos de risco podem incidir sobre quais tipos de atividade. Os processos de uma entidade de previdência complementar, diante de todos os riscos, precisam ser analisados com precisão para diminuir ao máximo que se realizem.
Entretanto, outros riscos relevantes que rodeiam a gestão das Entidades precisam fazer parte do radar de gestão de riscos, pois podem trazer enormes prejuízos aos envolvidos. Para minimizar o risco de mercado, por exemplo, diante da variabilidade dos preços e das variáveis externas como taxa de juros, cambio e ações, a gestão deve manter um acompanhamento regular dos fundos, da política de investimento, das expectativas do mercado, com estudos aprofundados quanto à capacidade de tomar risco e, ainda, entregar a rentabilidade esperada na projeção do passivo.
Metodologias e/ou cálculos incorretos na precificação de benefícios e contribuições, constituição inadequada das provisões técnicas e estimativas dos eventos futuros configuram o risco atuarial. Para minimizá-lo, deve-se atentar para o aumento da longevidade das populações decorrentes dos incrementos tecnológicos, do desenvolvimento da medicina, da qualidade de vida ascendente do país, entre outros fatores. Nesse sentido, algumas metodologias foram apresentadas, buscando demonstrar as tendências mundiais na apuração do impacto do aumento da longevidade e seu efeito nos planos previdenciários.
Outra questão bastante discutida foi o efeito que o desalinhamento das expectativas de participantes de planos CD/CV quanto ao benefício a ser pago pelo plano e o valor para o qual efetivamente estão acumulando. Relatórios gerenciais e simuladores que efetivamente cheguem com a informação aos participantes foram apresentados, sugerindo algumas ferramentas de como alinhar tais expectativas, evitando frustrações e insatisfações futuras, mitigando vários riscos da gestão.
Como linha geral, tendo em vista os inúmeros riscos que podem afetar a entidade, a gestão deve identificar os maiores riscos e agir proativamente para minimizar o impacto negativo nos benefícios dos participantes. Essa é a indicação dos Guias de Melhores Práticas da PREVIC e, sem dúvida nenhuma, deve ser o norteador dos Planos de Ação dos Fundos de Pensão.
Fonte: Mirador Assessoria Atuarial, em 29.08.2017.