Indicadores econômicos pressionados por incertezas fiscais e inflacionárias
O último mês de 2024 foi desafiador para o mercado financeiro, com indicadores econômicos pressionados por incertezas fiscais e inflacionárias. Como consequência, os ativos brasileiros registraram mais um mês de desempenho negativo expressivo.
Nos Estados Unidos, o Banco Central Americano (FED) reduziu a taxa de juros em 0,25 ponto percentual, sinalizando uma abordagem mais cautelosa para futuros cortes. O mercado passou a considerar um cenário de inflação mais alta com juros mais alto por mais tempo.
O S&P 500, principal índice da bolsa americana, registrou um aumento de 24% em 2024, impulsionado, principalmente, pelo setor de Tecnologia e por um desempenho econômico robusto. A reeleição de Donald Trump também elevou o otimismo do mercado, com expectativas de cortes de impostos e desregulamentação, embora tenha gerado debates sobre a sustentabilidade fiscal no longo prazo.
Na Europa, o mercado financeiro apresentou resultados modestos, influenciados por fatores econômicos e geopolíticos. O Banco Central Europeu reduziu as taxas de juros pela primeira vez em oito anos, facilitando o acesso a financiamentos para famílias e empresas. Apesar dessa flexibilização monetária, a economia na Zona do Euro continua enfrentando desafios significativos, dentre os quais, tensões geopolíticas e recuperação econômica lenta.
Na China, o mercado financeiro apresentou sinais mistos, refletindo desafios econômicos persistentes e medidas de estímulo governamentais. A inflação ao consumidor desacelerou pelo 4º mês consecutivo. Esse cenário reflete desafios na demanda interna, apesar dos esforços do governo para estimular o consumo. Agentes de mercado permanecem cautelosos quanto às perspectivas econômicas da China para 2025, apontando desequilíbrios entre produção robusta e demanda fraca, além de riscos deflacionários.
No Brasil, a persistente desconfiança dos investidores quanto à responsabilidade fiscal do governo continuou a impactar o mercado de ativos brasileiros, e o mês foi também marcado por uma atuação intensiva do Banco Central no mercado cambial. A autoridade monetária vendeu a maior quantidade de moeda estrangeira de sua história em um único mês, desfazendo-se de cerca de 10% das reservas de câmbio disponíveis para operações.
As projeções de inflação para 2024 atingiram 4,89%, ultrapassando o teto da meta imposta pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 3% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. Em resposta, o Banco Central aumentou a taxa Selic para 12,25% ao ano, sinalizando 200 bps de alta nas reuniões do Copom de janeiro e março de 2025.
Pelo lado positivo, após a resolução do impasse sobre o bloqueio das emendas parlamentares, o Congresso aprovou o fragilizado pacote fiscal proposto pela equipe econômica, que não agradou o mercado financeiro, em função da desidratação do pacote pelo legislativo e pelo anúncio simultâneo de perda de Receita com a isenção de IR para quem está na faixa salarial de até R$ 5 mil/mês.
No mês o índice Ibovespa desvalorizou -4,28%, o CDI valorizou +0,93%, a poupança +0,58% enquanto a meta atuarial valorizou +0,88%.

Em dezembro o plano BD valorizou 1,04%, enquanto o plano Sabesprev Mais desvalorizou -1,12% e o Reforço -1,11%.

A Sabesprev continua trabalhando para melhorar a diversificação e a rentabilidade das carteiras de investimentos, sempre atenta às dinâmicas do mercado e aos indicadores econômicos.
Atribuições de Performance
Em dezembro, as estratégias de Investimentos da Sabesprev obtiveram rentabilidades mistas no resultado consolidado, as principais estratégias contribuidoras de performance foram o segmento de Renda Fixa com valorização de +0,25%; segmento Estruturados com +2,89%; Segmento Imobiliário com +0,40%; Empréstimos a Participantes com +1,26%. Enquanto o segmento detrator de performance foi o Segmento de Renda Variável com desvalorização de -4,83%.

Projeções de rentabilidade
Olhando para 2025, divergências se apresentam entre os cenários de inflação e atividades de vários países, refletindo-se nas decisões de juros. As recentes leituras dos dados de inflação nos EUA, potencializados pelo discurso do novo presidente eleito Donald Trump, demonstram uma tendência de maior pressão inflacionária, fazendo com que isso tenha impacto na manutenção das taxas de juros para próximas decisões de política monetária americana. No Brasil, o desconforto em torno da política fiscal e dados resilientes da inflação, geram uma tendência de elevação de taxa de juros, já sinalizado pelo Banco Central brasileiro para os próximos meses. As premissas centrais do nosso cenário permanecem, porém, a deterioração do cenário de juros no Brasil e os desenvolvimentos em termos de dados econômicos, sugerem um movimento gradual da nossa carteira de investimentos no sentido de uma diminuição de exposição a risco e alocação em posições mais conservadoras atreladas a taxa Selic. Continuaremos a monitorar de perto esses desenvolvimentos, mas vale reforçar que as carteiras de investimentos da Sabesprev continuarão posicionadas, em certa medida, para capturar retornos sobre um movimento de atenuação de curvas de juros futuras.
Fonte: Sabesprev, em 30.01.2025.