Por Manuel Matos
O que as palestras de Peter Thiel em Roma revelam sobre a tensão entre inovação e regulação — e o que isso significa para o mercado segurador brasileiro
O episódio
Entre 15 e 18 de março de 2026, Peter Thiel — cofundador do PayPal e da Palantir, investidor inicial na carreira política do vice-presidente americano JD Vance — realizou uma série de quatro palestras privadas no Palazzo Orsini Taverna, em Roma, a poucos passos do Vaticano. O tema: o Anticristo bíblico e sua relação com a inteligência artificial, a governança global e o futuro da civilização ocidental.
O evento foi fechado à imprensa, com entrega obrigatória de celulares e acordos de confidencialidade. As universidades católicas inicialmente associadas à organização — o Angelicum, alma mater do Papa Leão XIV, e a Catholic University of America — se distanciaram publicamente. A reação do Vaticano foi firme: o L’Osservatore Romano, jornal oficial da Santa Sé, publicou artigo classificando a visão tecnológica de Thiel como uma forma de falsa religião. O teólogo Paolo Benanti, conselheiro papal, chamou o ensino de Thiel de heresia sustentada. O jesuíta Antonio Spadaro apontou que, na construção de Thiel, qualquer tentativa de regular a inteligência artificial se torna preparação para o reino do Anticristo.
Quem acompanha este tipo de movimento exclusivamente pela lente teológica perde o essencial. O que está em jogo não é uma disputa sobre escatologia. É uma disputa sobre quem define as regras do jogo na economia digital.
(30.03.2026)