O ano de 2020 iniciou com muito otimismo para a economia brasileira. Seguido por um ano com aprovação da reforma da previdência e tantas outras reformas necessárias no radar do governo; taxa de juros em seu menor patamar histórico, facilitando o desempenho e reinvestimento das empresas; fundos de previdência batendo recordes de captação; bolsa subindo 32% no ano. Tudo indicava que 2020 não seria diferente até emergir a crise do coronavírus!
As incertezas do impacto dessa pandemia no desempenho das empresas fizeram o Ibovespa, que se aproximava dos 120 mil pontos, amargar uma queda de 42% e recuar para a casa dos 60 mil pontos. Os fundos de investimentos encerraram o primeiro trimestre com perdas históricas e deixaram muita gente de cabelo em pé. Principalmente os investidores que experimentavam na prática pela primeira vez o significado da frase: quanto maior o retorno maior o risco.
Analisamos diversos fundos considerados arrojados e quanto maior a exposição em renda variável maior a queda. Muitos fundos previdenciários do mercado estavam posicionados com 70% em bolsa, que é o limite máximo que a norma permite, o que implicou em uma queda muito acentuada, chegando até 30% no primeiro trimestre. A Quanta, em seu perfil mais arrojado, possui como limite de 50% investimento em bolsa e sua queda foi proporcional à parcela no Ibovespa.
Em perfis considerados como moderados a análise deve ser mais criteriosa, pois o mau desempenho está atrelado não só à renda variável, como também a uma grande parcela em multimercados, que normalmente é muito presente nesses perfis. Na prática a parcela multimercado aplica em moedas (real, dólar, euro etc.), juros e em bolsa. Sendo assim, em momentos de crise, esses investimentos podem sim obter uma boa performance e tentar contribuir com o resultado total do perfil. Ou somar para que piore ainda mais sua performance. Foi o que observamos no fechamento desse primeiro trimestre, com diversos fundos moderados entregando resultados na faixa de -8%. Sabe aquele ganho possível nos multimercados? Nos perfis moderados de investimento da Quanta, conseguimos um bom desempenho e suavizamos um pouco a queda.
E para quem achava que o desespero maior estava na renda variável após essa queda rápida e intensa do Ibovespa, se enganou. O foco está mesmo na renda fixa! Isso mesmo, a renda fixa que não é fixa. Que varia. Que passou a oscilar muito. E que fez com que quase 80% dos fundos de previdência entregassem resultados negativos e registrassem quedas de mais de 10% nesse primeiro trimestre. Em nosso perfil renda fixa seguramos bem as oscilações e mantivemos um resultado positivo nesse primeiro tri.
Sabemos o quanto essa oscilação no preço dos ativos gera ansiedade e desconforto. No meio da crise a ideia de que teremos uma retomada no preço dos ativos e que voltaremos ao patamar antes da queda parece muito distante. O fato é que, se utilizarmos como exemplo a crise de 2008, o Ibovespa encerrou o ano com uma queda de 41%, e levou cerca de 8 meses para recuperar essa perda. Outra curiosidade foi que, nos 10 anos seguintes, o índice subiu 134%. Por isso é tão importante resgatar o conceito de longo prazo, um dos segredos para conseguir o melhor retorno nos investimentos e, sem dúvida, na Previdência Privada, principalmente se a opção foi por um perfil com parcela em renda variável.
O momento deve ser aproveitado para avaliar qual o melhor perfil de investimento para cada um. É bom lembrar daqueles testes de perfil de investidor que ninguém dava muita importância, pois estava encantado com os belos resultados do Ibovespa nos últimos anos. Se o investidor não tem estômago para crises como esta, deve repensar o perfil. E somente quando isso passar e os ativos retomarem ao patamar antes da crise o perfil deve ser trocado!
Fonte: Quanta Previdência, em 24.04.2020