Por Alexandre Sammogini

“O processo é uma verdadeira consultoria viva e dinâmica de governança”. A frase é do Gerente de Riscos do Cibrius, Flávio Pereira da Cruz, em referência ao processo de preparação e obtenção do Selo de Autorregulação em Governança Corporativa do Sistema Abrapp que foi conquistado pela entidade em maio de 2026.
Em entrevista exclusiva ao Blog Abrapp em Foco, o profissional fala sobre as motivações e os desafios enfrentados desde a adesão ao Código de Autorregulação, realizado em 2024, até a aprovação do Selo em Governança Corporativa por unanimidade pelos membros da banca avaliadora.
“A adesão à Autorregulação visou demonstrar solidez técnica e autocontrole ao mercado e ao órgão regulador, a Previc. Isso facilitou o diálogo institucional e simplificou a rotina de auditorias e fiscalizações periódicas”, explica Flávio. Confira a seguir a entrevista na íntegra:
Blog: Quais foram as motivações para a Cibrius aderir ao programa de Autorregulação do sistema Abrapp?
Flávio Pereira: A decisão do Cibrius foi motivada por três grandes pilares estratégicos. Primeiro, buscou alinhar-se às melhores práticas para blindar decisões e elevar a transparência da entidade. Segundo, visou demonstrar solidez técnica e autocontrole ao mercado e ao órgão regulador, a Previc. Isso facilitou o diálogo institucional e simplificou a rotina de auditorias e fiscalizações periódicas. E claro, a busca pela sustentabilidade a longo prazo dos planos de benefícios foi um forte motivador, visando proteger e rentabilizar o patrimônio de participantes e assistidos.
Blog: Quais os desafios enfrentados e superados pela equipe da entidade até a obtenção do Selo?
Flávio Pereira: A conquista do Selo de Autorregulação exigiu do Cibrius uma profunda transformação cultural e operacional que mobilizou toda a sua estrutura de trabalho. O primeiro grande obstáculo superado pela equipe foi a adequação normativa e processual, traduzida no esforço de mapear, ajustar e documentar minuciosamente os fluxos internos, consolidando-os em manuais robustos, como a Política de Governança Corporativa. Paralelamente, a entidade enfrentou o desafio de integrar seus controles internos, harmonizando as rotinas e os dados de áreas complexas, como a Gerência de Gestão de Riscos e Compliance, unificando-as em uma engrenagem sistêmica e auditável.
Blog: O processo envolve uma profunda mudança cultural e de mindset, não é mesmo?
Flávio Pereira: Claro, o processo demandou um intenso trabalho de aculturamento organizacional para engajar o corpo técnico e os órgãos colegiados sob as diretrizes de uma conformidade ativa. Essa mudança de mentalidade garantiu que as exigências de governança deixassem de ser meras formalidades no papel para se tornarem, de fato, práticas vivas e diárias na rotina de todos os colaboradores do instituto.
Blog: Como o processo de obtenção do Selo funciona como uma espécie de consultoria de governança?
Flávio Pereira: O processo é uma verdadeira consultoria viva e dinâmica de governança. O processo não se resume a entregar papéis e esperar uma nota. Ao longo da jornada, acontecem várias conversas, reuniões de alinhamento e entrevistas que movimentam a alta administração. Essa troca constante de informações funciona como sessões de assessoria técnica, nas quais as dúvidas são sanadas e as estruturas são refinadas em tempo real.
Blog: Poderia explicar com mais detalhes como funciona essa espécie de consultoria?
Flávio Pereira: Quando a banca avaliadora analisa as evidências enviadas pela entidade, ela não emite apenas pareceres de “aprovado” ou “reprovado”. O comitê devolve relatórios detalhados com apontamentos práticos de melhorias, refinamento de textos estatutários e ajustes em fluxos decisórios. Essas recomendações servem como um plano de ação customizado para elevar a maturidade institucional.
Blog: Comente o processo de avaliação como um todo, incluindo as dificuldades e facilidades.
Flávio Pereira: O processo de avaliação já é conhecido no setor por ser extremamente rigoroso e técnico. A banca avaliadora da Abrapp/Sindapp/ICSS analisou minuciosamente dezenas de requisitos estruturados em eixos como Conduta Ética, Transparência, Integridade, e Responsabilidade Corporativa, de modo que ao longo dos processos recebemos várias oportunidades de melhoria que foram prontamente implantadas no Instituto.
Blog: Quais os ganhos e avanços obtidos em relação ao aperfeiçoamento da governança da entidade?
Flávio Pereira: O processo promoveu um profundo amadurecimento do arcabouço documental da instituição, que passa a registrar, normatizar e auditar suas práticas de forma estruturada, consolidando a memória institucional e garantindo a perenidade dos processos. Além da jornada elevar o patamar de conformidade da organização ao reforçar diretamente o papel da governança corporativa e o dinamismo dos controles internos. A estruturação de políticas claras mitiga riscos operacionais e assegura que as tomadas de decisão sejam baseadas em mecanismos seguros e auditáveis de controle.
Blog: Poderia comentar como foi o engajamento da equipe do Cibrius?
Flávio Pereira: Na prática, o processo exigiu muito da nossa parte técnica e muita determinação para enfrentar cada etapa de validação e responder prontamente aos avaliadores, de modo que a aprovação final por unanimidade coroou com perfeição o trabalho primoroso de adequação feito por toda a equipe.
Clique aqui para ler mais sobre o programa de Autorregulação e os passos desde a adesão ao Código até a obtenção do Selo.
Fonte: Abrapp em Foco, em 21.07.2026.