Por razões óbvias, tudo que envolve a indústria automobilística interessa diretamente ao setor de seguros.
O seguro de automóvel é o principal ramo comercializado pelos corretores, representando aproximadamente 60% da sua receita.
Assim, o gráfico abaixo corresponde ao licenciamento e à produção de veículos nos país, em valores acumulados móveis 12 meses.

De forma didática, podemos fazer a análise das curvas por fases.
- No final de 2013, o país produzia e licenciava um pouco acima de 3,5 milhões de unidades por ano, o máximo da sua história.
- A partir de 2014, com a recessão, esse patamar diminuiu de forma abrupta e, ao final de 2016, o valor baixou para 2,0 milhões ao ano, tanto em produção como em licenciamento. Uma queda expressiva, de 40% em dois anos.
- A partir 2017, de uma forma lenta mas contínua, os valores foram subindo. A curva da produção foi na frente, beneficiada pelas exportações. No final do ano passado, chegamos a quase 3,0 milhões ao ano, nos dois casos – produção e licenciamento. Esse foi o cenário ao final de 2019.
- Agora, com a pandemia, houve uma mudança de cenário, com a consequente alteração nas trajetórias das curvas. Somente no mês de março, a queda foi de 20%, quando comparado ao mesmo mês do ano anterior. Nos dois casos, produção e licenciamento. Porém, esse foi um número extraordinário e não deve se repetir ao longo do ano. Tudo sinaliza que o cenário epidemiológico esteja menos crítico daqui a 4 ou 5 meses. Entretanto, claro que haverá perdas no setor. Se considerarmos uma queda de 10 a 15% no ano, chegaremos a um patamar de 2,5 milhões de unidades por ano ao final de 2020.
- Se confirmado, esse valor de 2,5 milhões ao ano representa uma retração, mas seria, pelo menos, melhor do que o mínimo conseguido no final de 2016. Ou seja, em 2020, o setor já teria passado por algo pior, se comparado com 2016. Enfim, não deixa de ser algum consolo.
Fonte: Francisco Galiza/Rating de Seguros, em 07.04.2020