Em 1995, as receitas do INSS com contribuições, bem como as suas despesas com o pagamento de benefícios, equivaliam igualmente a 4,6% do PIB, caracterizando assim uma situação de equilíbrio. Passados 21 anos, isto é, no ano de 2016, estima-se que essses mesmos percentuais tenham sido de 5,7% e 8,1%, o que significaria um real desequilíbrio, materializado em déficit de 2,4% do PIB. Esses são alguns dos citados pelo economista Fábio Giambiagi em artigo publicado ontem no jornal Valor, no qual compara a tese de que a Previdência Social brasileira seria na verdade superavitária às crenças de que Elvis não morreu, a chegada do homem à Lua não passou de fraude e que ETs apareceram mesmo na cidade de Varginha. Giambiagi, um dos maiores especialistas do País na matéria previdenciária, apresenta longas evidências matemáticas ao estabelecer tal comparação. Ele faz referência também ao fato de que, pelas projeções do IBGE, o número de pessoas que se encontram na faixa entre 15 e 59 anos de idade cairá de 136 milhões, agora, para 128 milhões, no ano 2050. Já o grupo de brasileiros com 60 anos ou mais crescerá de 26 milhões, atualmente, para 66 milhões. Inescapável: em algumas décadas um contingente menor de trabalhadores contribuintes terá que bancar os benefícios de um número muito maior de aposentados e pensionistas.
Fonte: Diário dos Fundos de Pensão, em 12.01.2017.