Por Bruna Chieco
O sistema de previdência complementar fechada encerrou 2025 com superávit líquido de R$ 17,69 bilhões, revertendo o déficit de R$ 8,9 bilhões registrado no ano anterior, conforme apontou relatório da Previc divulgado nesta quarta-feira, 15 de julho. O resultado atuarial é o melhor da série histórica do levantamento, que iniciou em 2015.
A virada de R$ 26,6 bilhões em apenas doze meses reflete o desempenho robusto das carteiras de investimento e reduziu para 155 o número de planos deficitários, o menor patamar registrado pelo período histórico do relatório da Previc. O resultado reforça a solidez do sistema a partir da elevação do índice de solvência, que é o que mede a capacidade de cobertura de benefícios.
Por trás da recuperação está o desempenho das aplicações financeiras ao longo do ano. A rentabilidade média consolidada do sistema alcançou 13,33% em 2025, superando o índice de referência de IPCA + 4,5% ao ano, equivalente a 8,96% no período, em 4,3 pontos percentuais.
O resultado foi impulsionado pela recuperação generalizada dos ativos financeiros ao longo do ano, em contraste com o cenário de perdas observado em 2024. Índices de renda fixa referenciados ao IPCA, como o IMA-B e o IMA-B 5+, registraram avanços relevantes, acompanhando o fechamento das taxas de juros reais de longo prazo.
O movimento beneficiou diretamente o perfil de investimento conservador, predominante entre as entidades e com 85% dos ativos do sistema concentrados em renda fixa, sobretudo em títulos públicos indexados à inflação.
Segundo o relatório, a baixa exposição a ativos de maior risco e retorno potencial, como renda variável, exterior e estruturado, que juntos somam 10% da carteira, aponta espaço para diversificação gradual à medida que os planos de Contribuição Definida e Contribuição Variável, com horizontes de acumulação mais longos, ganharem maior peso relativo no sistema.
O resultado positivo também se refletiu no total de recursos administrados do sistema, que encerrou 2025 em R$ 1,408 trilhão, alta de 7,97% em relação ao ano anterior. O setor fechou o ano com 268 entidades em atividade, número que vem em redução desde 2022, reflexo do robustecimento do setor a partir de fusões, incorporações e reorganizações societárias entre patrocinadoras em busca de maior eficiência operacional.
Mais de 8,6 milhões de pessoas entre participantes ativos, aposentados, pensionistas e dependentes estão cobertos pelo regime de previdência complementar fechada, segundo o relatório. Os planos de Benefício Definido, embora concentrem a maior fatia dos recursos (53,9%), reúnem apenas 19% dos participantes ativos do sistema, refletindo uma carteira madura e em fase de pagamento de benefícios. Já os planos CD, com 16,3% dos ativos, concentram 51% dos participantes ativos, base mais jovem e ainda em fase de acumulação.
O relatório da Previc pondera que os desafios estruturais do setor permanecem, como o envelhecimento da população e a alta volatilidade dos mercados financeiros, reafirmando a importância de uma gestão de risco robusta e de políticas de investimentos alinhadas com os perfis de obrigação de cada plano.
“As ações e políticas que visem incentivar o setor, com a possibilidade concreta de ampliação de coberturas, inclusão de novos participantes e patrocinadores, oferta de novas modalidades de planos e adaptação às novas exigências do arcabouço econômico e à evolução das características demográficas da população, são fundamentais para a continuidade e possível expansão da rede de proteção ofertada pela previdência complementar fechada”, destaca a autarquia.
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Fonte: Abrapp em Foco, em 15.07.2026.