Por Vicente Nunes
A farra com dinheiro dos trabalhadores no Postalis, o fundo de pensão dos Correios, levou a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) a ligar o sinal de alerta. A meta é evitar que mais dinheiro dos poupadores escorra pelo ralo da corrupção. Segundo o diretor de Fiscalização e Monitoramento do órgão, Sergio Djundi Taniguchi, 25 fundações estão hoje sob supervisão permanente. Juntas, representam quase 80% do patrimônio do sistema fechado de previdência complementar, de mais de R$ 800 bilhões.
Por meio desse monitoramento, a Previc coloca dois fiscais em cada fundo, que passam a acompanhar todas as operações da entidade. Nenhum investimento é realizado sem que tenha sido submetido ao crivo deles. Foi assim que os fiscais conseguiram abortar um prejuízo de R$ 200 milhões do Serpros, o fundo dos empregados do Serpro, empresa de tecnologia controlada pelo Ministério da Fazenda. O Serpros, pelo que levantou a Previc, estava repetindo todas as operações que levaram o Postalis a acumular prejuízos superiores a R$ 6 bilhões.
Quando chegaram ao Serpros, os fiscais da Previc perceberam que a então diretoria, indicada por partidos políticos, estava metendo o dinheiro dos trabalhadores em negócios sem retorno. Para tentar estancar a roubalheira, a Previc interveio na fundação. Durante mais de um ano, houve um processo de saneamento na entidade. Poucos meses depois de ser devolvido aos gestores, porém, o Serpros sofreu nova intervenção. A Previc constatou que todos os malfeitos haviam voltado com força. Ao retomarem a gestão do fundo, os fiscais brecaram um investimento milionário no antigo Porcão, que quebrou e foi um dos piores negócios feitos pelo Postalis. Mesmo com todo o trabalho da Previc, o Serpros acumulará prejuízos de R$ 500 milhões.
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Fonte: Blog do Vicente - Correio Braziliense, em 10.02.2018.