Especialistas do mercado financeiro recalcularam as contas para os juros e a inflação esperados para 2021. Uma das principais mudanças está na elevação da taxa básica de juros (Selic) para 4,25% ao ano e a expectativa é que suba ainda mais esse ano.

O que é a Taxa Selic?
É a taxa básica de juros da economia brasileira. Esse importante medidor influencia todas as demais taxas de juros do Brasil, como as cobradas em empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras.
Na prática, uma Selic alta indica um objetivo de desacelerar a economia, impedindo a inflação de aumentar. Quando baixa, estimula o consumo e aquece a economia, elevando a inflação.
As mudanças na Selic equilibram o cenário econômico e garantem que o dinheiro continue circulando. Se a taxa precisa ser alterada é um sinal de que houve alguma mudança na economia.
Por que a taxa Selic está subindo?
Devido a uma inflação controlada e um crescimento econômico baixo e até negativo, o Banco Central manteve a taxa Selic em níveis historicamente baixos a fim de estimular a economia. Com sinais de recuperação da economia e uma inflação acima da meta, o Banco Central começa a subir a taxa de juros.
À primeira vista uma taxa de juros sempre baixa pode parecer uma boa ideia, o estímulo pode parecer muito benéfico. Mas aqui é válido a sabedoria popular: a diferença entre o remédio e o veneno é a dose.
Quem determina o valor dessa taxa?
O órgão que decide o valor da Selic é o Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central. Seus membros se reúnem a cada 45 dias para definir se a taxa diminui, aumenta ou permanece estável. Essa decisão é tomada tendo em vista os objetivos do Banco Central, que se relacionam com o funcionamento do sistema financeiro e econômico. Bons exemplos disso na prática são controlar a inflação e fomentar o pleno emprego.
Qual a taxa Selic de hoje?
A taxa Selic, definida no dia 16 de junho de 2021, está em 4,25% ao ano.
Confira a seguir o histórico da Taxa Selic mensal dos últimos 5 anos:
|
2021 |
2020 |
2019 |
2018 |
2017 |
|
|
Janeiro |
0,15% |
0,38% |
0,54% |
0,58% |
1,09% |
|
Fevereiro |
0,13% |
0,29% |
0,49% |
0,47% |
0,87% |
|
Março |
0,20% |
0,34% |
0,47% |
0,53% |
1,05% |
|
Abril |
0,21% |
0,28% |
0,52% |
0,52% |
0,79% |
|
Maio |
0,27% |
0,24% |
0,54% |
0,52% |
0,93% |
|
Junho |
– |
0,21% |
0,47% |
0,52% |
0,81% |
|
Julho |
– |
0,19% |
0,57% |
0,54% |
0,80% |
|
Agosto |
– |
0,16% |
0,50% |
0,57% |
0,80% |
|
Setembro |
– |
0,16% |
0,46% |
0,47% |
0,64% |
|
Outubro |
– |
0,16% |
0,48% |
0,54% |
0,64% |
|
Novembro |
– |
0,15% |
0,38% |
0,49% |
0,57% |
|
Dezembro |
– |
0,16% |
0,37% |
0,49% |
0,54% |
Fonte: Receita Federal
Mas como a alta da taxa Selic pode interferir no meu bolso?
No dia a dia, você vai notar preços mais controlados, uma vez que ao aumentar a taxa, a inflação tende a diminuir. Isso pode gerar queda ou ao menos uma estabilidade nos valores dos produtos e serviços, principalmente aqueles que não são tão afetados pelo dólar.
Outras implicações são os juros de crédito mais altos e a mudança na rentabilidade dos investimentos. O aumento na Selic eleva a rentabilidade dos investimentos em Renda Fixa atrelados ao CDI, como a maioria dos CDBs, LCI e LCA pós-fixados. O mesmo acontece para alguns dos investimentos feitos no Tesouro Direto, a exemplo do Tesouro Selic, como o nome mesmo indica.
Por outro lado, o cenário não está nada bom para quem deixa o dinheiro na poupança. Apesar da rentabilidade ter aumentado para 0,25% ao mês e 2,98% ao ano, o rendimento ainda fica abaixo da inflação, que hoje está em 8,06% nos últimos 12 meses. Com a inflação nestes patamares, os investidores que aplicam nesta modalidade estão perdendo
Fonte: Previbayer, em 23.08.2021.