As três maiores entidades fechadas do país realizaram na última sexta, 2, um seminário sobre investimentos estruturados, no Rio de Janeiro. Com o título “Desafios e perspectivas para os FIPs no Brasil”, o evento reuniu especialistas, dirigentes e amplo público de profissionais do setor. O objetivo do seminário foi promover um amplo debate sobre a necessidade de aprimoramento e ajustes na estruturação, governança e legislação dos Fundos de Investimento em Participações (FIPs).
“Quando vislumbramos que nossa economia passará a oferecer taxas de juros reais de 4% no médio prazo, o desafio de buscar oportunidades para que o portfólio possa superar a meta atuarial é muito maior”, disse Gueitiro Genso, Presidente da Previ e Presidente do Conselho Deliberativo da Abrapp, na abertura do seminário. Ele ressaltou a importância da diversificação das carteiras e, neste contexto, aparece a opção dos investimentos estruturados, em especial, os FIPs.
O Diretor Presidente da Abrapp, Luís Ricardo Marcondes Martins, participou como mediador do painel “Legislação: ampliando as oportunidades de investimentos em FIPs”. “Com o cenário de queda das taxas de juros, em que as entidades terão de correr mais risco, o produto FIP é uma alternativa excelente e necessária para o sistema. Por outro lado, existe também a necessidade de buscar aperfeiçoamento na regulação para alcançar maior segurança”, disse Luís Ricardo. Ele ressaltou a importância da parceria entre as três entidades, todas com assento no Conselho Deliberativo da Abrapp, na organização deste importante evento.
O atual ambiente de queda das taxas de juros, apesar de positivo para o país, constitui um grande desafio para as entidades fechadas, comentou Walter Mendes, Presidente da Petros. E continuou: “O novo cenário exige uma diversificação inteligente e responsável dos nossos investimentos. Os fundos de investimentos em participações, os FIPs, são um desses instrumentos para se realizar a diversificação”.
Aperfeiçoamento da regulação
O Presidente da Petros também ressaltou a necessidade de busca de aperfeiçoamento da regulação dos FIPs, pois segundo ele, as regras do setor ainda apresentam deficiências. “Ainda existem falhas na regulamentação e organização dos FIPs, que devem ser aperfeiçoados”, disse. Por isso, o dirigente propôs a elaboração de sugestões por parte dos profissionais e especialistas que atuam nas entidades fechadas para envio aos órgãos reguladores.
“Nosso evento de hoje visa apontar esses pontos de aperfeiçoamento na regulação, esses pontos de aperfeiçoamento da estruturação dos FIPs. Queremos construir em conjunto com o mercado e as autoridades, caminhos para que o investimento em FIPs seja feito com segurança”, comentou Mendes.
Experiência acumulada
O aprendizado com experiências anteriores de investimentos em FIPs foi ressaltado pelos dirigentes das três entidades. “A Funcef tem uma vasta experiência para contribuir para o setor. Agora existe a importância do debate e a interação entre o mercado e os diversos stakeholders para construir as perspectivas futuras”, disse Carlos Vieira, Diretor Presidente da Funcef. O dirigente ressaltou a importância de utilização de uma perspectiva racional que permita uma adequada relação entre risco e retorno nas aplicações.
O seminário contou com as exposições de importantes atores do mercado e do governo, como Fábio Coelho, Diretor Superintendente Substituto da Previc, Marcelo Santos Barbosa, Presidente da CVM, Eliane Lustosa, Diretora da Área de Mercado de Capitais do BNDES, Fernando Borges, Presidente da Abvcap. Além disso, contou com apresentações dos diretores de investimentos das três entidades e gestores de assets do mercado.
Fonte: Acontece Abrapp, em 05.02.2018.