Por Alexandre Sammogini
Em entrevista exclusiva durante o 38º Congresso Brasileiro da Previdência Complementar Fechada, o Presidente da Previ Gueitiro Genso anunciou a decisão de incorporar os princípios e critérios de Integridade para análise e acompanhamento dos ativos na política de investimentos da entidade. O dirigente, que também é Presidente do Conselho Deliberativo da Abrapp, explicou os motivos que levaram a entidade a adotar a medida. “Ao invés de utilizar uma análise tradicional financeira, para escolher um investimento ou outro, não é mais suficiente para garantir a segurança que buscamos”, disse o Presidente da Previ.
Genso também abordou os benefícios do Programa de Integridade adotada desde 2014 pela Previ e como a experiência interna da entidade levou à adoção dos princípios para cobrar iniciativas similares das empresas investidas. “Daí entram as entidades fechadas, que somos grandes atores do mercado, para dizer que no futuro muito próximo, ter programas de integridades aplicados, é muito importante”, disse. Nesta edição do Congresso, a Abrapp lançou Guia de Políticas de Integridade para EFPCs. Confira trecho da entrevista:
Acontece – Comente o atual estágio do Programa de Integridade da Previ.
Gueitiro Genso – Sempre consideramos nossa política de investimentos como a bússola de longo prazo. Sempre analisamos risco, retorno e liquidez. Essas diretrizes sempre protegeram nossos participantes para assegurar a segurança de nossos investimentos. O que estamos inovando neste ano é que, ao invés de utilizar uma análise tradicional financeira, para escolher um investimento ou outro, não é mais suficiente para garantir a segurança que buscamos. Temos alguns exemplos no mercado brasileiro, de empresas que eram boas pagadoras de dividendos e mostravam boas práticas de governança em seus relatórios, acabaram apresentando problemas.
Acontece – O que será mudado na política de investimentos?
Gueitiro Genso – Nossa proposta é a criação de um rating interno dentro da política de investimentos, que vai classificar as empresas, de acordo às nossas premissas de boas práticas de governança, que vão além daquelas que a lei exige. Por exemplo, essa empresa tem uma área de risco e compliance independente? A ouvidoria da companhia é ligada ao conselho e possui autonomia de fato? A ideia é criar esse rating e introduzir na política de investimentos.
Acontece – Ou seja, programas formais de governança não resolvem?
Gueitiro Genso – Exatamente, apenas cumprir a lei não me parece dar conta do atual momento. Estamos propondo uma reflexão ao mercado. Daí entram as entidades fechadas, que somos grandes atores do mercado, para dizer que no futuro muito próximo, ter programas de integridades aplicados, é muito importante. Da mesma forma que o empresário cuida da eficiência da companhia e isso é precificado no preço da ação, ter um programa de integridade também reflete no papel.
Acontece – E essa decisão de incluir o programa de integridade na política de investimentos da Previ vem da própria experiência interna da entidade, não é mesmo?
Gueitiro Genso – O que permite colocar em nossa política de investimentos, é justamente pela nossa experiência. A Previ está bem equilibrada e que não temos investimentos recentes com problemas devido à aplicação dos programas de governança e de integridade. Nós procuramos ir muito além das regras legais. A Lei 108 não exige que tenhamos diretores eleitos. Nós temos eleitos dentro da diretoria. O presidente da Previ não tem voto de qualidade. Nosso estatuto exige que os diretores da Previ tenham pelo menos 10 anos como participante, que entendemos ser uma boa prática. O time de investimentos é formado por associados.
Fonte: Acontece, em 05.10.2017.