Um forte avanço dos preços dos seguros marine (cascos e carga) ocorre desde que as tensões geopolíticas se converteram em guerras. O mais recente envolve trajetos pelo norte do Mar Vermelho e tem a ver com a guerra travada com Israel e grupos terroristas ao norte ou ao sul da faixa de Gaza.
Em 16 de dezembro de 2023, o cargueiro MSC Palatium III foi atingido por um míssil, deixando o navio inoperante. Foi a senha para a entidade The Joint War Committee (JWC), organização que reúne subscritores de risco da seguradora Lloyd’s e da IUA (International Underwriting Association of London), refazer seu mapa (JWC Listed Areas) de zonas de risco
Isso significa que armadores devem informar, previamente, aos seguradores da passagem de sua embarcação por essas áreas e pagar um adicional de prêmio para o translado ter cobertura
Desta vez, a JWC ampliou a chamada zona de guerra no norte do Mar Vermelho em 330 quilômetros.
Para escapar dos riscos, muitos navios têm optado por desviar para a rota do Cabo da Boa Esperança, na África do Sul, em vez de se aventurar pelo Mar Vermelho, encarecendo as despesas com o transporte marítimo de cargas e o tempo das viagens. A rota da Boa Esperança eleva de 19 para 31 dias a viagem da Ásia para a Europa. Tudo para evitar os ataques a navios a cargo do movimento Houti, que é apoiado pelo Irã e se opõe a Israel.Também é uma alternativa para evitar preços de seguros duas ou três vezes maiores adotados pelos seguradores de Londres.
As taxas de prêmios avançaram, para a cobertura de guerra, de 0,03% do valor do navio para 0,05% ou mesmo 0,1% pelo tempo habitual de contrato de uma semana. Ou seja, apenas para a cobertura de casco marítimo (não inclui o valor da carga), o prêmio passou de cerca de 20 mil euros para um valor de até 70 mil euros
Em sua reunião de dezembro, a JWC elevou a zona de aviso de 15 graus para 18 graus norte no Mar Vermelho (aumento de cerca de 330 kms na latitude), e, de quebra, incluiu também a Guiana, em virtude do conflito territorial que trava com a Venezuela. Houve também ajuste na África- a zona de risco da Eritreia subiu três graus para norte- ao passo que os limites já estabelecidos para Cabo Delgado e as costas de Moçambique e Tanzânia foram alterados.
Fonte: CNseg, em 11.01.2024