As entidades que trouxerem a precificação de qualquer papel, naqueles casos em que isso for permitido, da curva para a mercado se recomenda que façam previamente estudos técnicos aprofundados, uma vez que o sucesso da operação de mudança na forma de precificar depende de uma grande quantidade de fatores. Por exemplo, é necessário ter-se uma clara ideia do seu impacto sobre o ativos e passivo, benefícios e custeio dos planos, sem esquecer de se saber antes qual o melhor momento de realizar cada procedimento, em linha com a conjuntura e até se o passo deve ser dado de uma vez ou gradualmente. Tal reflexão foi um dos pontos altos do evento virtual sobre "Marcação a Mercado, Saiba Tudo que Mudou com a Resolução CNPC 37/20", na última quarta-feira, dia 8 de julho, em uma realização da ANCEP e ABRAPP, com apoio da MERCER e forte presença da PREVIC. O público de mais de 250 dirigentes e profissionais interagiu intensamente.
E havendo reclassificação de ativos da curva para a mercado, recomenda o atuário e diretor da MERCER Antônio Fernando Gazzoni, um dos expositores do evento, a entidade naturalmente precisará dar o passo seguinte, qual seja revisitar a política de investimentos em seu conjunto, bem como verificar se os processos de investimentos e as próprias equipes gestoras precisarão ser readequadas. Em resumo, nada é um fio solto e pode ser visto separadamente.
Em sua exposição Gazzoni se deteve particularmente nas referências de ordem mais prática, analisando os impactos sobre um hipotético plano de BD, CD e outro CV. Ao final, colocou foco nos estudos técnicos solicitados pela norma.
Já o consultor da ABRAPP, Sílvio Rangel, atuou como o expositor encarregado de ensinar detalhadamente o cumprimento da norma, num quase passo a passo. Fez uma análise minuciosa dos efeitos que virão e de sua aderência às práticas do mercado, chamando a atenção para a possibilidade que se abre de a partir daí redesenhar em boa parte o plano de benefícios.
UM GRANDE MOMENTO
Para o presidente da ANCEP, Roque Muniz, "foi um grande momento", pois "não é fácil um evento responder a tantos desafios ao mesmo tempo, ao ensinar, responder às perguntas e interagir com tantas telas em um ambiente virtual. Fizemos isso e nos saímos muito bem".
Roque também destacou a forte presença da PREVIC, cuja participação sublinhou o diálogo com a autarquia e a disposição desta de avançar sempre com base na interlocução técnica com os especialistas. Ao abrir o evento, o diretor-superintendente do órgão supervisor, Lúcio Capelletto, ressaltou a importância da norma no esforço permanente para se evitar a qualquer tempo a transferência de riqueza entre participantes, Por sua vez, José Carlos Chedeak, diretor de Orientação Técnica e Normas, adiantou a intenção da PREVIC de provavelmente em setembro disponibilizar em seu site documento (FAC) com perguntas e respostas esclarecedoras a respeito do tema.
Fonte: ANCEP, em 10.07.2020