Por Alexandre Ruschi (*)
Cuidar de vidas é responsabilidade sem igual. Por isso, é possível melhorar constantemente este trabalho e as críticas sérias sempre serão muito bem-vindas. Ataques sem sentido, contudo, não contribuem para que aperfeiçoemos a saúde suplementar.
Primeiramente, há que entender que empresas privadas e cooperativas médicas, sem dinheiro público, que recolhem seus tributos legalmente previstos, prestam assistência à saúde a 47 milhões de brasileiros.
O orçamento do Sistema Único de Saúde, para assistência a todos os 208 milhões de habitantes do país, é R$ 125,3 bilhões em 2017. Já a saúde suplementar desembolsou mais de R$ 71 bilhões até junho deste ano para cuidar de menos de um quarto da população.
Aos que acreditam que as operadoras só visam ao lucro, lembro que a sinistralidade média é 85%. Ou seja, sobram 15% do faturamento para despesas administrativas, impostos, gastos com comercialização, ações de marketing, investimentos tecnológicos e demais ações necessárias à prestação de serviços, que tem obtido avaliações muito boas de seus clientes, além de acompanhar a evolução mundial.
Isto tem se traduzido em retorno praticamente zero, quase sempre sustentado por resultados financeiros, advindos das imensas reservas técnicas impostas pelo órgão regulador.
As operadoras têm sido acusadas de articular os chamados planos populares.
Nunca partiu das operadoras de planos de saúde a ideia do plano de saúde popular. A segmentação de planos de saúde prevista na lei 9656/98 sempre contemplou segmentação, inclusive somente ambulatorial. Embora a iniciativa não seja nossa, não nos negamos a dialogar sobre o assunto.
Além disso, acreditamos que, sim, seja muito importante oferecer mais opções de planos de saúde acessíveis a famílias de menor renda. Elitizar a saúde privada não é, nem nunca será, a solução.
Nosso entendimento atual é exatamente o do diálogo com toda a sociedade, alertando para o fracasso do modelo vigente e a necessidade imperiosa de direcionarmos nossas estratégias para uma nova forma de atenção à saúde, que agregue qualidade e tenha o cliente no centro do modelo assistencial.
A Unimed, maior sistema cooperativo médico do mundo, que completará 50 anos em dezembro próximo, e que gera 95 mil empregos diretos, está sempre disposta a procurar formas de aperfeiçoar e aumentar a abrangência da saúde pública no país, por meio de inúmeras parcerias com o poder público, e também da medicina privada, por uma cadeia produtiva que emprega e sustenta milhares de famílias de brasileiros e brasileiras.
Liberdade econômica, política e institucional andam sempre de mãos dadas. Estamos abertos ao diálogo transparente, pois esta é a melhor forma de encontrar soluções para a saúde e a qualidade de vida de todos os cidadãos.
(*) Alexandre Ruschi é médico e presidente da Central Nacional Unimed.
Fonte: A Crítica, em 11.09.2017.