Por Roberta Jansen
Paulo Rebello diz que há incompreensão sobre papel da agência, alvo de críticas após anunciar reajuste de 15% no valor dos planos de saúde e defender rol taxativo de procedimentos
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) vem sendo alvo de pesadas críticas nas últimas duas semanas, depois de anunciar um reajuste de 15% no valor dos planos de saúde e, mais recentemente, defender o rol taxativo de procedimentos a serem pagos pelas operadoras. Diretor-presidente da ANS, o advogado Paulo Rebello disse, em entrevista ao Estadão, que há muita incompreensão sobre o papel da agência e que não aguenta mais ser acusado de estar defendendo as operadoras. “Nosso trabalho é defender o beneficiário”, afirmou. “Não somos carrascos.”
A decisão sobre o rol taxativo, e não exemplificativo, vai de encontro aos interesses dos beneficiários?
Existe uma incompreensão muito grande sobre o que a gente faz. As pessoas nos acusam de defender as operadoras. O nosso trabalho é defender o beneficiário, garantir um serviço de qualidade. Obviamente, se a gente coloca isso sob a lógica do rol exemplificativo, o que vai acontecer? Primeiro que um dos princípios consagrados no marco regulatório (Lei dos Planos de Saúde 9656/98) é poder estabelecer um rol taxativo, ter previsibilidade no que está sendo colocado. Se começa a não ter critério, temos um problema sob o aspecto econômico, vai aumentar o custo. Esse é um problema no mundo todo, não só no Brasil. Dando um exemplo grosseiro, temos uma água Prata e uma água Perrier. As duas são águas, hidratam igual. Agora, se você oferecer só Perrier, em vez de pagar R$ 100, você vai pagar R$ 1.000. Fazer essa análise é a nossa função.
Fonte: O Estado de S. Paulo, em 13.06.2022