Por Alexandre Sammogini
Além de se destacarem como detentoras dos maiores patrimônios entre as entidades fechadas de previdência complementar do país, Previ e Petros têm outro motivo para se orgulhar. É que ambas têm ocupado frequentemente as primeiras posições no ranking Top 5 das instituições que mais acertam as projeções do Boletim Focus do Banco Central.
A Petros figurou em sete meses em 2016 no ranking Top 5 nas projeções de câmbio e IPCA; em 2017 liderou nos três primeiros meses do ano o ranking IPCA de curto prazo, além de aparecer em janeiro na liderança de projeções do IGP-DI de médio prazo e na quinta posição no IGP-M de curto prazo.
O Boletim Focus recolhe semanalmente as projeções de indicadores macroeconômicos de cerca de 100 instituições financeiras. As cinco que mais acertam as projeções ganham destaque ao entrar no ranking Top 5. Os acertos da Petros são explicados pelos modelos e pelo trabalho da equipe interna. “O diferencial está nos indicadores e variáveis utilizados em nossos modelos. Usamos os números da coleta do Monitor da Inflação, da FGV, e alteramos equações e adequamos as variáveis de acordo com as nossas análises micro e macroestruturais da economia”, diz Tarciso Gouveia, gerente de análise de investimentos da Petros.
O profissional explica que a fundação desenvolveu um padrão interno próprio de interpretação dos dados. “A equipe interna tem o desafio de interpretar o funcionamento da economia brasileira, pois o Brasil está à margem da teoria econômica convencional. A pluralidade de pensamento dos profissionais responsáveis por este trabalho enriquece a análise e tem contribuído para a Petros alcançar um melhor nível de assertividade nas projeções, comparável às grandes consultorias independentes”, diz Gouveia.
Investimento em modelos - No caso da Previ, ela figurou cinco vezes no ranking Top 5 em dezembro, janeiro e fevereiro passados. Em dezembro ficou em primeiro lugar na projeção da taxa over Selic e na terceira posição na taxa Selic. Em janeiro ficou na quarta posição na taxa Selic e, em fevereiro, em segundo lugar na projeção do IGP-DI de médio prazo, além da quinta posição novamente na taxa Selic.
“A Previ tem investido cada vez mais no aprimoramento de modelos econométricos mais completos e sensíveis às variações de mercado que, em conjunto com as análises provenientes de um corpo técnico qualificado, possibilitam maior assertividade nas projeções”, explica Marcus Madureira, diretor de planejamento em exercício da Previ.
O dirigente comenta ainda que os modelos são constantemente revisados e aperfeiçoados com o objetivo de acompanhar as constantes mudanças do mercado brasileiro. “Nosso modelo de inflação, por exemplo, utiliza como base mais de 40 indicadores, que considera cenários atuais, além de diversas variáveis, cuja projeção envolve prospecção de longo prazo”, comenta o diretor.
Importância dos acertos – Ambas as entidades valorizam a importância dos acertos nas projeções dos indicadores. “A realização de projeções de forma assertiva é de grande importância para o planejamento, na medida em que garante maior previsibilidade dos retornos dos investimentos, além de ser um importante insumo para a prospecção dos resultados atuariais”, diz Madureira, da Previ.
O gerente da Petros vai na mesma linha. “As projeções são fundamentais para apoiar a gestão dos investimentos. As previsões macroeconômicas não necessariamente definem, mas contribuem na tomada de decisão”, diz Gouveia. O profissional cita como exemplo do caso dos títulos públicos, em que as projeções também são relevantes para auxiliar na tomada de decisão no que concerne o perfil de alocação desses papéis, se marcados a mercado ou na curva, indicando quando trocar alguma posição.
Fonte: Diário dos Fundos de Pensão, em 28.04.2017.