Mais de 80% dos gestores de Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) e das empresa de Previdência Aberta já adotaram ações em seus portfólios para minimizar os impactos da crise financeira gerada pela pandemia de COVID-19, diz reportagem do jornal Valor Econômico desta quinta-feira, 23 de abril, com informações do resultado de uma pesquisa realizada pela Mercer com apoio da Abrapp. A principal ação realizada até o momento é o início de uma revisão das políticas de investimentos dos planos, relatada em 60% das respostas de um total de 132 participantes, entre diretores, gerentes e analistas das entidades.
Os respondentes da pesquisa representam 61% do patrimônio total do setor de previdência privada no Brasil. A pesquisa mostrou que, apesar da reação inicial, há uma preocupação com a liquidez, e de maneira geral ainda não se percebe grandes alterações na composição dos portfólios.
O levantamento mostrou que, além do ajustes nas políticas, os gestores responderam que estão focados em outras ações de revisão, que são as seguintes: análise dos cenários de juros e ALM (53%); estrutura de custos de gestão (31%), reavaliação da meta atuarial (29%); e regras dos planos (25%).
A revisão das políticas “pode ser uma primeira reação em um momento de alta incerteza e volatilidade”, disse o Líder de Previdência e Investimentos da Mercer no Brasil, João Morais em entrevista ao Valor. O consultor alerta, porém, que com a depreciação dos ativos, esse pode não ser o momento adequado para realizar grandes mudanças nas alocações das carteiras. Morais também defendeu uma maior diversificação dos portfólios, com maior alocação em investimentos no exterior. “O S&P 500, por exemplo teve perdas menores que o Ibovespa. O evento recente mostra o quão benéfica seria a diversificação internacional”, afirmou.
Previdência Aberta - Não há muita diferença entre as reações dos gestores dos fundos de previdência aberta ou fechada, segundo o Responsável por Produtos na Área de Previdência e Investimentos da Mercer, Guilherme Gazzoni. A principal diferença é que os participantes da previdência aberta têm mais flexibilidade de resgate ou mudança de perfil de investimento, o que provoca maior preocupação dos gestores das empresas no atual cenário de crise.
Fonte: Abrapp em Foco, em 23.04.2020