Por Bruna Chieco

A 5ª edição da Pesquisa de Riscos do Sistema Fechado de Previdência Complementar aponta a manutenção do risco de Macroeconomia na primeira posição do ranking, repetindo o resultado das edições anteriores e consolidando-se como o principal dado revelado pelo levantamento, que reúne a percepção de 86 entidades, (37,22% das associadas), e analisa 29 riscos, com recortes por patrimônio, número de participantes e modelos de gestão.
O estudo foi elaborado pela Comissão Técnica Leste-Sudeste (Subgrupo Sudeste) de Governança e Riscos da Abrapp, sob coordenação de Marcelo Côrtes da Cruz e Katia Levy Barbosa de Mello, com idealização e coordenação técnica do advogado Carlos Alberto Barros, e já está disponível para download.
Na sequência do ranking, a Taxa de Juros e a Regulamentação também voltaram a ocupar, como em edições anteriores, as posições de maior relevância para as EFPCs (2º e 3º lugar, respectivamente). Chama atenção a ascensão do risco Político, que saltou da 11ª para a 4ª colocação, e a estreia do risco de Terceirização diretamente entre os cinco mais votados, o que fez com que o risco Cibernético deixasse o top 5 pela primeira vez desde que passou a ser mensurado. O barômetro do sistema, por sua vez, apontou uma leve redução na percepção geral de pressão dos riscos em relação ao ano anterior.
A manutenção da Macroeconomia no topo reflete a postura comercial dos Estados Unidos, com tarifas adicionais sobre produtos negociados com o país, além dos conflitos internacionais em curso e das incertezas da Reforma Tributária no Brasil. A Taxa de Juros, na segunda posição, é explicada pelo patamar de 15% atingido no período de coleta, a maior taxa dos últimos 20 anos.
A Regulamentação tem como destaque a Resolução CMN nº 5.202, que alterou diretrizes relevantes para a aplicação dos recursos garantidores dos planos administrados pelas entidades. Já a escalada do risco Político está associada à desconexão nas relações entre Brasil e o governo norte-americano e ao início das articulações para as eleições de 2026. A estreia da Terceirização entre os cinco mais votados decorre da oferta reduzida de fornecedores de gestão de passivo para as EFPCs.
O relatório apresenta um retrato atualizado das principais preocupações das EFPCs e revela movimentos importantes no radar do setor, servindo como ferramenta para apoiar a reflexão, antecipar desafios e fortalecer a gestão das entidades. A comparação com os resultados de edições anteriores também permite identificar tendências e mudanças relevantes, proporcionando uma visão evolutiva das principais preocupações do setor.
A pesquisa proporciona às entidades uma oportunidade de autoavaliação e contribui para ampliar a compreensão dos riscos que envolvem o sistema. A publicação do relatório pela Abrapp reforça o compromisso da Associação em promover continuamente produtos e iniciativas voltados ao fortalecimento do setor, sendo uma provedora de soluções técnicas para o sistema.
A Abrapp representa 231 EFPCs e destaca que a Gestão Baseada em Riscos é fundamental para fortalecer a governança e qualificar o processo de tomada de decisões nas entidades. A abordagem permite mapear, mensurar e mitigar vulnerabilidades, contribuindo para a solidez e a sustentabilidade dos planos de benefícios.
Esse conceito também está alinhado à Supervisão Baseada em Riscos adotada pela Previc, que busca promover uma fiscalização preventiva e proporcional ao porte e à complexidade de cada entidade, em uma abordagem que vai além de uma supervisão baseada exclusivamente no cumprimento de regras.
A convergência entre a Gestão Baseada em Riscos, adotada pelas entidades, e a Supervisão Baseada em Riscos, praticada pela Previc, reforça a relevância do papel da Abrapp como articuladora entre a prática de gestão das EFPCs e as exigências regulatórias do setor.
Clique aqui para acessar a 5ª edição do relatório.
A coleta de dados para a 6ª edição da Pesquisa de Riscos do Sistema Fechado de Previdência Complementar será realizada em breve, com o objetivo de reunir novos insumos para a próxima edição do estudo.
A participação das entidades é fundamental para ampliar a representatividade da pesquisa e contribuir para uma visão cada vez mais atualizada dos riscos e desafios do sistema. Mais detalhes serão divulgados posteriormente.
Fonte: Abrapp em Foco, em 11.08.2026.