Por Bruna Chieco

Na última segunda-feira, 30 de março, foram apresentados os resultados preliminares da pesquisa sobre percepção de investimentos em infraestrutura no Brasil, iniciativa conduzida pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Banco Mundial para analisar a estabilidade, a resiliência e as necessidades de desenvolvimento do sistema financeiro brasileiro, no contexto do Programa de Avaliação do Setor Financeiro (FSAP) do Brasil.
Os trabalhos tiveram como foco o ambiente de financiamento de longo prazo da infraestrutura, com atenção especial ao papel dos investidores institucionais, em particular, as Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPCs), na ampliação desses investimentos.
A participação da Abrapp se deu de forma ágil e estruturada. Por meio do Colégio de Coordenadores de Investimento, a entidade mobilizou suas associadas para contribuir com insumos técnicos qualificados. Ao longo do processo, houve diálogo entre o Banco Mundial e representantes das EFPC, e em encontro realizado com associadas, alguns temas centrais entraram em discussão para o avanço do financiamento da infraestrutura. Foram eles:
- os setores considerados prioritários para investimento (transportes, transição energética, saneamento e infraestrutura digital);
- a alocação atual dos fundos de pensão em ativos ligados à infraestrutura;
- os limites regulatórios que impactam esse tipo de investimento;
- aspectos legais e de governança; e
- a necessidade de mecanismos de mitigação de riscos e aprimoramento de crédito.
As conclusões apresentadas pelo estudo indicam que há espaço relevante para o fortalecimento do investimento em infraestrutura no país, mas apontam desafios importantes relacionados às condições macroeconômicas e ao desenho dos instrumentos de incentivo. Para João Carlos Ferreira, Diretor Vice-Presidente da Abrapp responsável pelo Colégio de Coordenadores de Investimento, os resultados evidenciam entraves estruturais relevantes.
“Há muito a ser feito para que o investimento em infraestrutura no país seja estimulado. Os técnicos do Banco Mundial e do FMI entenderam que as altas taxas de juros são o principal agente desestimulador desse investimento. Além disso, o modelo atual de incentivo tributário distorce o retorno dos projetos e não estimula o investimento das EFPC”, pontua Ferreira.
O trabalho também ressaltou a importância de avançar em soluções estruturantes, como melhorias no arcabouço regulatório, maior previsibilidade institucional e instrumentos de redução de risco, para criar um ambiente mais favorável à mobilização de recursos de longo prazo.
A contribuição da Abrapp e das EFPC integrou os insumos técnicos que subsidiarão o relatório final do FSAP com recomendações voltadas ao aperfeiçoamento do sistema financeiro e ao fortalecimento do financiamento da infraestrutura no Brasil.
Fonte: Abrapp em Foco, em 01.04.2026.