O mercado financeiro revisou mais uma vez para baixo as expectativas do PIB e também da Selic em 2019. O resultado mais recente do boletim Focus, publicação semanal elaborada pelo Banco Central com base nas perspectivas das instituições financeiras, mostrou que a estimativa de avanço do Produto Interno Bruto brasileiro está agora em 1,13% no ano, ante os 2% previstos no início de 2019. Aumentaram também as apostas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) possa cortar a Selic, hoje em 6,50%.
“Antevimos que, dada a ancoragem das expectativas de inflação, a fraqueza da atividade traria à tona a discussão quanto à queda da taxa Selic, e alocamos nossos portfólios para beneficiarem-se deste cenário”, afirma Bruno Horovitz, sócio da Icatu Vanguarda, empresa parceria da OABPrev-SP na gestão de investimentos.
Ele não aposta que o Banco Central corte neste momento a taxa básica de juros, mas não descarta mudanças no futuro. “Acreditamos que o Banco Central deve ser e será cauteloso, considerando eventuais cortes Selic somente após a aprovação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, preservando sua credibilidade e mantendo ancoradas as expectativas de inflação”, prevê.
Horovitz lembra que o cenário atual é de juros baixos em todo o mundo e que o Brasil tem aproveitado para convergir a sua taxa de juros para os padrões internacionais de forma sustentável.
Esse cenário, contudo, é algo recente para o investidor brasileiro, que sempre preferiu os títulos públicos, especialmente os indexados à Selic e à inflação (IPCA). Dados da Abrapp mostram que em 2017, do total dos 804,8 bilhões de reais alocados pelos fundos de pensão brasileiros no mercado, 73,6% estavam justamente na renda fixa. Enquanto isso, a renda variável representa apenas 17,7% dos investimentos, ante 32,5% de sete anos atrás.
“É necessária maior diversificação de estratégias, buscando investimentos um pouco mais voláteis, mas que entregam rentabilidades superiores a renda fixa tradicional”, responde Horovitz.
O desafio, no caso de fundos de pensão como a OABPrev-SP, está em construir essa carteira estratégica, que compense a perda de rentabilidade nos títulos públicos, mas com o menor aumento de risco possível, mantendo-se o trinômio liquidez, rentabilidade e segurança, que tem sido a base da entidade.
Assim, títulos de crédito privado, fundos multimercados, a classe de dividendos e fundos de ações mais acautelados estão no foco.
“Tão importante quanto o portfólio em si é a consciência de que ativos mais voláteis demandam prazos de investimento mais longos”, salienta Horovitz.
Fonte: OABPrev-SP, em 05.06.2019.