Notícias que vêm do exterior mostram a longevidade sob dois ângulos. A primeira deixa evidente que essa maior expectativa de vida pode não ser uma coisa boa quando os indivíduos, ou os seus países, não se preparam para ela construindo uma previdência sustentável. A segunda questiona se será mesmo possível continuar estendendo a vida por mais anos além do teto a que já chegamos, ao redor dos 100 anos e, em alguns casos, por volta dos 110.
No primeiro caso, a BBC traz a notícia de que, em uma manifestação em Atenas, na Grécia, aposentados enfrentam os policiais e quase viram um ônibus da Polícia. Os idosos protestavam contra cortes em suas aposentadorias, através de medidas que fazem parte do pacote de ajuste fiscal negociado entre o governo grego e seus credores europeus. A polícia dispersou os manifestantes com bombas de gás lacrimogênio. Um detalhe na notícia. Hoje, as aposentadorias na Grécia valem entre 25% a 50% do que era o seu valor antes da crise.
A segunda notícia é um estudo preliminar publicado na edição deste mês da revista Nature e que pode jogar um balde de água fria nas pretensões de quem espera que a expectativa de vida continue se estendendo por idades cada vez maiores. Conduzido por pesquisadores da área de genética e envelhecimento da Faculdade de Medicina Albert Einstein, em Nova York, o material apresenta evidências de que há um limite intransponível na longevidade humana - e que os membros mais longevos da humanidade, aquelas que mais viveram, provavelmente já o atingiram.
Os autores do estudo conduzido pela faculdade analisaram dados de mortalidade de 40 países. A conclusão da análise sugere que a vida humana tem um limite máximo e isso independe de doenças provocadas pela idade. O material ainda precisa passar por uma revisão na comunidade científica para ganhar status de pesquisa definitiva.
Fonte: Diário dos Fundos de Pensão, em 11.10.2016.