![]() Antonio Penteado Mendonça |
De acordo com uma consultoria especializada, o preço dos seguros de veículos teve uma alta generalizada ao longo dos últimos meses. Segundo a notícia, houve uma inversão de tendência, já que fazia tempo que isso não acontecia. Nada de novo debaixo do sol, o preço do seguro não é um dado imutável, ele está sujeito a uma série de fatores que impactam o resultado da seguradora, a maioria deles, inclusive, fora do alcance das ações que ela possa praticar para mantê-los sob controle. Por exemplo, o aumento da sinistralidade decorrente da guerra no Oriente Médio pode se espalhar pelo resto do mundo e interferir no preço do seguro rural brasileiro. Se isto acontecer, não há nada que as seguradoras possam fazer para evitar a elevação do preço. Sua única saída será se adaptar ao novo cenário e cobrar mais caro pelo seguro. A regra vale para todos os tipos de seguros e o seguro de veículos, num país como o Brasil, não é exceção, ele é o que pode apresentar maior oscilação, em menor espaço de tempo, em função de fatores como irresponsabilidade dos motoristas, falta de fiscalização, demagogia política, mudança do perfil da frota, etc. A observação empírica é suficiente para indicar que algo está acontecendo e que este algo significa o aumento do número de acidentes graves. Ora, onde há o aumento dos acidentes graves, há, concomitantemente, o aumento dos acidentes menos graves, que são a imensa maioria dos acidentes de trânsito. É verdade que as grandes vítimas dos acidentes graves são motociclistas e que boa parte das motocicletas brasileiras não são seguradas. Portanto, a observação empírica poderia estar errada, no sentido de que não haveria razão para o aumento do preço do seguro de veículos. Afinal, a maioria dos veículos envolvidos não tem seguro. Mas esta análise não se sustenta. E a principal razão é que pesquisas criteriosas, baseadas em números reais, dão conta do aumento do número de acidentes de todas as naturezas, envolvendo veículos de todos os tipos. Ora, da mesma forma que as seguradoras não podem interferir na guerra do Oriente Médio, elas também não podem interferir nos acidentes de trânsito brasileiros. Não tem como uma seguradora impedir que um segurado se envolva num acidente. Ela não tem a capacidade operacional, nem as condições de fiscalização e normatização do trânsito para evitar o acidente. Assim, acontecendo o acidente, só lhe resta pagar. Mas pagar mais do que a média de sinistros precificada numa determinada época significa a companhia perder dinheiro porque o preço do seguro será insuficiente para fazer frente a realidade do caixa. Neste cenário, a única solução que resta é o reajuste do preço do seguro para adequá-lo à nova sinistralidade. Infelizmente, não existe plano B. Por conta da concorrência acirrada, as seguradoras buscarão aumentar o mínimo possível, mexendo em outras contas de despesas para minorar o aumento. Só que não há mágica, especialmente no mercado de seguros, onde as tábuas estatísticas e a matemática pura tiram toda a poesia da precificação das apólices. Dificilmente, diante do aumento da quantidade de sinistros, a seguradora consegue não mexer no seu preço. Quem paga a conta é o bom segurado, que, em princípio, não teria nada com isso, mas terá um seguro mais caro. |
Fonte: SindSeg SP, em 15.05.2026.
