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Antonio Penteado Mendonça |
A pior situação para um cidadão comum é ser assaltado por um ladrãozinho pé de chinelo, desses que atuam a pé, de bicicleta ou moto e cujo interesse é uma aliança, ou um celular. São eles os que matam sem se preocupar, por menos de 30 dinheiros, sem pensar na destruição de uma família ou no que quer dizer um assassinato. Para eles tanto faz matar ou não matar, até porque os maiores de idade sabem que dificilmente responderão pelo crime, afinal, menos de 10% dos homicidas dolosos são condenados. E os outros são menores de idade, no máximo ficam poucos anos na Fundação Casa e voltam para as ruas, com a ficha limpa, como se nunca tivessem matado alguém. De outro lado, o crime organizado se expande a passos largos, ocupando cada vez mais territórios, nas grandes cidades, no interior, no litoral e especialmente na Amazônia, onde são os verdadeiros donos de enormes áreas, nas quais exploram garimpos ilegais, pesca clandestina, tráfico de drogas e contrabando de armas. Na sequência temos a violência do trânsito, responsável por algo próximo a 40 mil mortes por ano, fora as centenas de milhares de inválidos e nos danos psicológicos causados aos parentes e beneficiários das vítimas. Tem mais. Os feminicídios e os abortos clandestinos matam milhares de mulheres todos os anos. E a falta de condições de atendimento da rede pública de saúde que em função da demora em tratar pacientes com doenças que poderiam ser curadas, eles acabam morrendo porque os quadros evoluem para situações terminais. Ainda cabem no desenho os acidentes de trabalho, a mortalidade infantil, a subnutrição e as epidemias. O quadro só não é mais deprimente porque deixo de lado outros tópicos que aumentam a violência de todos os tipos que corre solta no Brasil. Outro dia, uma alta executiva de seguradora comentava comigo sobre a paz social e a tranquilidade que é parte da mitologia nacional. Quando coloquei para ela que apenas entre assassinatos e acidentes de trânsito temos perto de 80 mil mortos por ano e que isso é mais do que os mortos da guerra da Ucrania ela me olhou estarrecida. Nunca tinha feito a conta e ficou horrorizada quando percebeu que o quadro, agravado pelas outras mazelas, é mais dramático ainda. O custo da violência para a previdência social e para o SUS é absurdamente alto e compromete a capacidade de atendimento da assistência social brasileira que para se defender criou as filas infinitas do INSS e a postergação da realização dos procedimentos de saúde na rede pública. Mas o setor privado também sente os seus efeitos e o mais grave é a baixa produtividade da mão de obra. Especificamente, o setor de seguros é dos mais afetados. A violência cobra seu preço diretamente do caixa das seguradoras nas indenizações para roubos e furtos. Na conta das operadoras de saúde. No seguro de vida. No seguro de veículos. No seguro de transportes, etc. Não há esperança de o quadro mudar, até no longo prazo. Para isso seria necessária uma política séria de enfrentamento de todas as mazelas que atacam a pátria e não há nenhum sinal de que os atuais líderes da nação estejam preocupados com elas. |
Fonte: SindSeg SP, em 09.10.2026.
