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Antonio Penteado Mendonça |
Não tem jeito, entra ano, sai ano, os números do trânsito brasileiro seguem assustadores. São dezenas de milhares de mortos e centenas de milhares de feridos engrossando as filas da Previdência Social e do SUS, sem que se tenha notícia de uma campanha de conscientização levada ao ar pela mídia tradicional ou pelas redes sociais. Nada. É como se o problema não existisse e a cada feriado os números não adquirissem visibilidade. Como se o trânsito nacional fosse tão tranquilo quanto as estradas da Suécia ou da Noruega.
No entanto, o que se vê no mundo real é completamente diferente. Os acidentes pipocam com enorme regularidade, como se os motoristas pouco se lixassem para as regras legais, ou não tivessem qualquer respeito pelas autoridades encarregadas da fiscalização.
Pegando o feriado da Páscoa, em tese uma época destinada a meditação e ao acerto de contas de cada um com cada um, os números das estradas, divulgados pela Polícia Rodoviária Federal foram assustadores, apesar de uma pequena redução no número de óbitos, em relação ao ano passado.
Uma das vantagens das câmeras espalhadas por todo o país é mostrarem o que acontece nas ruas e estradas em tempo real. E a série de desmandos e barbaridades flagradas por elas explica o quadro. Não tem como ser diferente.
Quando o camarada sai da garagem da casa cantando pneu e entra na rua cantando pneu, a probabilidade de atropelar e matar crianças brincando na calçada cresce exponencialmente.
Quando um cidadão dirige um Porsche tranquilamente a mais de 100 quilômetros por hora em uma avenida feita para trafegar a 50 quilômetros por hora as chances de acabar dando errado são maiores do que as de não acontecer nada. E acontece. Ele cruza a pista, bate de frente com outro carro, derrapa, segue em frente desgovernando e bate num caminhão que também não tem nada com isso.
Nos 2 casos, os motoristas estavam bêbados. Uma realidade absolutamente normal nas ruas de todo o Brasil, não apenas de São Paulo. Mas tem muito mais.
As imagens das câmeras mostram motoristas ultrapassando caminhões pelo acostamento. Mostram motoboys ziguezagueando entre os carros, ciclistas na terceira faixa de avenidas com trânsito pesado. Mostram caminhões dando macha-ré em plena Marginal do Pinheiros porque passaram a saída e não querem fazer o retorno mais à frente. E estes são apenas alguns exemplos.
Estas situações têm nome: irresponsabilidade. A mais pura e deslavada irresponsabilidade de motoristas que além de tudo não têm medo que aconteça alguma coisa mais séria porque a fiscalização em todo o país é precária e a chance de ser parado é pequena.
Entre secos e molhados, anualmente, são quase 40 mil mortos e mais de 150 mil feridos. Mas nossas autoridades seguem como se não fosse com elas. Faz pouco tempo o exame para habilitação de motorista sofreu uma simplificação absurda cuja consequência será o aumento do número de motorista habilitados, sem a menor condição de dirigirem.
Neste cenário, não tem como melhorar. E, também, não tem como o seguro de veículos custar barato.
Fonte: SindSeg SP, em 10.04.2026.
